sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva literaria 2010

Os melhores, e descobertas:

1° lugar
Mario Vargas Llosa: O paraíso na outra esquina

2° lugar
Alejo Carpentier: O reino desse mundo e
. Visão da América

3° lugar
Nikolai Leskov: Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk

Infanto-juvenil:
Pablo Bernasconi: El Diario del Capitan Arsênio

Artesanal
Bhajju Shyam, Durga Bai, Ram Singh Urveti: A vida secreta das arvores

Ilustração: Suzy Lee e
. Luciana Justiniani

Praticando (e mandando muito bem):

Roberto Bolano: 2666
Os detetives Selvagens;
Rubem Fonseca: A coleira do cão;
Juan Rulfo: Chão em chamas e
. O galo de ouro e outros textos para cinema
Mia Couto: Antes de nascer o mundo

Poesia
Ano do Manoel de Barros: Obras Completas (obviamente não concluída)
Bertold Brecht: Poemas 1913-1956

Novos (para mim) e muito bons autores:

Milton Hatoum: Dois irmãos
Agualusa: As mulheres do meu pai
Estação das chuvas
Ismael Kadaré: O acidente

Iniciados:
Julio Cortazar: Jogo da Amarelinha

terça-feira, 30 de novembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Tem que ser PURA VIDA!

Cadernos de viagem.

As vezes encontro anotações de viagens... breves comentários, “pensamentos imperfeitos”... alguns extraordinários! Como é o caso desse, que rabisquei depois de ler um trecho de um livro do Saramago. Apesar da vontade, não mudei nenhuma palavra. Mas tenho que acrescentar um extraordinário muito obrigado ao pais da pura vida, que me inspirou a tentar definir o que é ... extraordinário!

“ Não invento nada. Faço esta declaração imediata porque adivinho já os sorrisos solertes e desconfiados daquela gente para quem o extraordinário é sempre sinônimo de mentira. Essas pobres pessoas não sabem que o mundo está cheio de coisas e momentos extraordinários. Não os vêem, porque para eles o mundo aparece como coberto de cinzas, comido de verdete baço, povoado de figuras que usam roupas iguais e falam da mesma maneira, com gestos repetidos sobre gestos já feitos por outros desaparecidos seres. É gente para quem talvez não haja remédio, mas a quem devemos continuar a dizer que o mundo e o que está nele não são o tão pouco que julgam...”

José Saramago (Apólogo da Vaca Lutadora)

E o que é o extraordinário? Talvez seja só o diferente, o que não foi previsto nas mais platônicas horas do sábio planejamento. Mas para saber extraordinário deve causar sensações... deve ter o frio na barriga de quem, por uns instantes, perde as rédeas da rotina e o controle da freqüência respiratória. Para ser extraordinário tem que acender o brilho do olhar, a umidificaçao excessiva que vem da expansão da alma para quem o corpo fica repentinamente pequenino. O olhar que quer a tudo ver e a tudo não alcança. Para ser extraordinário tem que dar medo, um receio, e assim impulsionar o espírito para a ousadia em cada pequeno momento. Tem que despertar o medo que pode ser o resquício de alguma dor, e esta assim também aparecer. Um soluço, ou vários, substituindo as virgulas de um breve relato. O extraordinário não pode ser nada que não existe. Pode e deve ser sim um profundo agradecimento simplesmente por existir. E pode ser tão simples, mas tão simples, que simplesmente muitos não o percebem, não o tocam e não são por ele acariciados.

Tem que ser PURA VIDA!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Voce tem F O M E de que, México...?

Vocês dirão que é pura estupidez a minha,
que é um desatino lamentar-se da sorte,
inda mais desta terra pasma
onde nos esqueceu o destino.

A verdade é que dá muito trabalho se aclimatar à fome.

E ainda que digam que a fome
repartida entre muitos
vira menos fome, a única coisa certa é que todos
aqui
estamos a meio morrer
e não temos nem mesmo
onde cair mortos.

Ao que parece
a perversa vem direto para nós.
Nada de dar nó cego a esse assunto.
Nada disso.
Desde que o mundo é mundo
desandamos a andar com o umbigo grudado no espinhaço
e nos agarrando ao vento com as unhas.

Nos regateiam até a sombra,
e apesar de tudo continuamos assim:
meio atordoados pelo sol maldito
que nos afunda dia a dia aos pedaços,
sempre com a mesma seringa,
como se o rescaldo quisesse reviver mais e mais.
Embora a gente saiba muito bem
que nem ardendo em brasas
acenderá a nossa sorte.

Mas somos teimosos.
Talvez isso tenha conserto.

O mundo está inundado de gente feito a gente,
de muita gente feito a gente.
E alguém tem que nos ouvir,
alguém e mais alguns,
embora arrebentem ou devolvam nossos gritos.

Não é que sejamos rebeldes,
nem que estejamos pedindo a esmola à lua.
Nem está em nosso caminho buscar depressa a pocilga,
ou arrancar para a montanha
cada vez que os cães nos esfaqueiem.

Alguém terá que nos ouvir.

Quando deixamos de roncar feito vespas em enxame,
ou nos volvermos cauda de redemoinho,
ou quando terminamos por escorrer sobre a terra
como um relâmpago de mortos,
então
talvez chegue a todos o remédio


O galo de ouro e outros textos para cinema, Juan Rulfo

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mas para que servem os olhos...

...além de olhar para os amigos e para os presentes maravilhosos que eles, mesmo sem saber, nos oferecem, sempre?
Bem, vou aproveitar esse texto de Cortazar, descoberto-apreciado-presentado pela SIL, vou reproduzi-lo aqui no blog, e vou ainda cometer a ousadia de trocar o nome do privilegiado-homenageado "OTANO" (o qual infelizmente desconheço) pelo nome do nao menos talentoso "Edwards", e assim, nessa tremenda cara de pau, fazer essa tremenda homenagem a um grande homem da minha vida!

OTANO. 1949
(catálogo da expo de Otano na Galeria Cantú, Bs As 5 al 17/12/49)

Cosa buena es pintar, si sirve para despintarnos la mala pintura que cubre la realidad enseñada y nos tienecon el alma al duco. Antes de enternecernos frente a la lámina de la Primavera (quinto grado) habíamos pasado por un tiempo de ver y entender, a esas horas en que amábamos los vidrios facetados, la deformacion reveladora de los sifones contra la luz, el espetáculo maravilloso de una cucaracha rabiando en un calidoscópio.


Tenemos muchísimos parpados, y en lo hondo, y perdidos están los ojos. La lista de parpados - que continúo descubriendo y clasificando- incluye la instrucción primaria, el contrato social, la tradición, el culto a los antepasados sin discriminar entre los meritorios y los idiotas, el realismo ingenuo, la viveza, el a mi no me engrupen, la necesidad de hacer juego con el ropero provenzal, el cine y Vasari. Los parpados son muy útiles porque protejen los ojos; tanto que al final no los dejan asomarse a beber su vino de luz.


Otano (Edwards), con grandes pinzas, se ha puesto a arrancar parpados. Ay duele; vaya si duele. Como que hace ver estrellas. LOS OJOS SON PARA VER LAS ESTRELLAS.

Julio Cortázar (Tati)

Feliz aniversario ED

terça-feira, 7 de setembro de 2010

entao

ia falar da Ines...
ah, ainda noa vou falar da ines!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Realmente...

QUE PUTA AIDĒTICA MAIS FOGOSA Ē A REALIDADE, O SENHOR NÃO ACHA?

Roberto Bolano, 2666

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ela poderia estar sentindo tanta coisa...

mas ela sentia a cocega das aguas...do mar



"Onda"
Suzy Lee

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ela poderia estar olhando tanta coisa...

mas ela olhava...o mar...



"Onda" Suzy Lee

(da ILha, em junho)

primeiro semestre

"Para que tudo isso?, queixou-se consigo. Pensara em esquece-lo, mas fora inutil. Estava tudo ali, principalmente os momentos finais de cada encontro. Era quando algo indevido acontecia de repente. Algo ireemediavel. Ele o explicava pelo nervoso da separaçao. Ela ja nao sabia o que seria melhor: falar o minimo possivel para evitar mal-entendidos ou, ao contrario, falar, falar aos borbotoes, em panico, para nao dar chance aos temiveis vazios. Ela agora ja sabia que exatamente no umbral da despedida havia aquele momento fatal, que determinava de que lado ficaria o sofrimento até o encontro seguinte."

O Acidente, Ismail Kadaré

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O paraiso na esquina



Spirit of the dead watching: Gauguin (by Mario Vargas Llosa)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos!

"Uso a palavra para compor meus silencios. Nao gosto das palavras fatigadas de formas. Dou mais respeito às que vivem de barriga bem no chao, tipo agua, pedra, sapo. Entendo bem o sotaque das aguas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais do que avioes. Prezo a velocidade das tartarugas mais do que a dos misseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundancia de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdicios: amo os restos, como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu nao sou da informatica: sou da invencionatica... So uso a palavra para compor os meus silencios."

Manoel de Barros

quarta-feira, 17 de março de 2010


Poemas Neoconcretos I

mar azul
mar azul marco azul
mar azul marco azul barco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul ar azul

Ferreira Gular

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Debaixo d'agua tudo era mais bonito

Uma amiga deu de cara com o Arnaldo Antunes na livraria cultura e sua reaçao imediata foi se enfiar atras de um livro,inteirinha, rsrsrsr. Acho que eu teria a mesma reaçao. é foda dar de cara com um cara foda!

Debaixo D'agua
Arnaldo Antunes
Composição: Arnaldo Antunes

Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia

Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia

(Arnaldo Antunes)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Viagem para o espaço

Relatividades...

" Quando se está na órbita da Terra, ao olhar para baixo, vêem-se lagos, rios, penínsulas... Voa-se rapidamente sobre mudanças de topografia, como montanhas cobertas de neve, desertos ou cinturões tropicais – tudo muito visível. Passa-se por um nascer e um pôr-do-sol a cada 90 minutos. Ao sair da órbita terrestre, ... enxerga-se de um pólo ao outro e de um oceano para outro sem sequer virar a cabeça. Literalmente vê-se a América do Norte e a América do Sul dobrando a esquina, enquanto a Terra gira em torno de um eixo invisível, e então, milagrosamente vê-se a Austrália, depois a Ásia e, a seguir, as Américas vêm substituí-las. ... Começa-se a perceber como é pequena a nossa compreensão de tempo. ... Perguntamos a nós mesmos: onde estou, no espaço e no tempo? Vemos o sol se por na América e tornar a nascer na Austrália. Olhamos “para casa”... e não vemos as barreiras de cor, religião e política que dividem este mundo."

Eugene A. Cernan, astronauta das missoes lunares Gemini e Apollo, in "O que é vida" de Lynn Margullis & Dorion Sagan

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ai de ti

Haití: un desafío internacional

por Carlos Fuentes

Miro una foto de una tristeza, dolor, crueldad y violencia inmensas: un hombre toma del pie el cadáver de un niño y lo arroja al aire. El cuerpo va a dar a la montaña de cadáveres -decenas de millares en una población de 10 millones-. Saldo terrible del terremoto en Haití. Cuesta admitir que una catástrofe más se añada a la suma catastrófica de esta desdichada nación caribeña. El 80% de sus habitantes sobrevive con menos de dos dólares diarios. El país debe importar las cuatro quintas partes de lo que come. La mortalidad infantil es la más alta del continente. El promedio de vida es de 52 años. Más de la mitad de la población tiene menos de 25 años. La tierra ha sido erosionada. Sólo un 1,7% de los bosques sobreviven. Tres cuartas partes de la población carece de agua potable. El desempleo asciende al 70% de la fuerza de trabajo. El 80% de los haitianos vive en la pobreza absoluta.

Los huracanes son frecuentes. Pero si la naturaleza es impía, más lo es la política humana. Primer país latinoamericano en obtener la independencia, en 1804, se sucedieron en Haití gobernantes pintorescos que han alimentado el imaginario literario. Toussaint L'Ouverture, fundador de la República, depuesto por una expedición armada de Napoleón I. El emperador Jean-Jacques Dessalines extermina a la población blanca y discrimina a los mulatos, pero es derrotado por éstos. Alexandre-Pétion, junto con el dirigente negro Henry Christophe, convertido en brujo y pájaro por Alejo Carpentier en su gran novela El reino de este mundo, espléndido resumen novelesco del mundo animista de brujos y maldiciones haitianas. Fueron los "jacobinos negros".

El verdadero maleficio de Haití, sin embargo, no está en la imaginación literaria, ni en el folclore, sino en la política. Sólo después de la ocupación norteamericana (1915-1934), Haití ha sufrido una sucesión de presidentes de escasa duración y una manifiesta ausencia de leyes e instituciones, vacío llenado, entre 1957 y 1986, por Papá Doc Duvalier y su hijo Baby Doc, cuyas fortunas personales ascendieron en proporción directa al descenso del ingreso de la población, el desempleo y la pobreza. Patrimonialismo salvaje que intentó corregir, en 1990, el presidente Jean-Baptiste Aristide, exiliado en 1991, de regreso en 1994, y desplazado al cabo por el actual presidente René Préval.

Este carrusel político no da cuenta de las persistentes dificultades provocadas por la guerra de pandillas criminales, herederas de los terribles tonton-macoutes de Duvalier, incontenibles para una policía de apenas 4.000 hombres y avasallada por las realidades de la tortura, la brutalidad, el abuso y la corrupción como normas de la existencia.¿Qué puede hacer la comunidad internacional sin que los préstamos del Banco Mundial o del Banco Interamericano desaparezcan en el vértigo de la corrupción? La presencia de una fuerza multinacional de la ONU, la MINUSTAH o Misión Estabilizadora (con gran presencia brasileña) ha contribuido sin duda a disminuir el pandillismo, los secuestros y la violencia. La inflación disminuyó de 2008 acá de un 40% a un 10% y el PIB aumentó en un 4%. Prueba de que hay soluciones, por parciales que sean, a la problemática señalada. Pero hoy, el terremoto borra lo ganado y abre un nuevo capítulo de retraso, desolación y muerte.

La comunidad internacional está respondiendo, a pesar de que Puerto Príncipe ha perdido su capacidad portuaria, el aeropuerto tiene una sola pista y el hambre, la desesperación y el ánimo de motín aumentan. El presidente Barack Obama ha dispuesto (con una velocidad que contrasta con la desidia de su predecesor en el caso del Katrina en Nueva Orleans) medidas extraordinarias de auxilio.

Obama ha tenido cuidado en que el apoyo norteamericano sea visto como parte de la solidaridad global provocada por la tragedia haitiana, y ha hecho bien. Las intervenciones norteamericanas en Haití están presentes en la memoria. Entre 1915 y 1934, la infantería de marina de Estados Unidos ocupó la isla y sólo la llegada de Franklin Roosevelt a la Casa Blanca le dio fin a la intervención. No hay que ser pro-yanqui para notar que la ocupación trajo orden, el fin de la violencia y un programa de obras públicas, aunque no trajo la libertad, ni acabó con la brutalidad subyacente de la vida haitiana.

La presencia actual de muchas naciones y muchas fuerzas, militares y humanitarias, en suelo haitiano, propone una interrogante. Terminada la crisis, pagado su altísimo costo, ¿regresará Haití a su vida de violencia, corrupción y miseria?

Acaso el momento sea oportuno para que la comunidad internacional se proponga, en serio, pensar en el futuro de Haití y en las medidas que encarrilen al país a un futuro mejor que su terrible pasado. Que dejado a sí mismo, Haití revertirá a la fatalidad que lo ha acompañado siempre, es probable. Que la comunidad internacional debe encontrar manera de asegurar, a un tiempo, que Haití no pierda su integridad pero cuente con apoyo, presencia y garantías internacionales que asistan a la creación de instituciones, al imperio de la ley, a la erradicación de la pobreza, el crimen, la tradición patrimonialista y la tentación autoritaria, es un imperativo de la globalidad.

Ésta, la globalización, encuentra en Haití un desafío que compromete la confianza que el mundo pueda otorgarle a la desconfianza que todavía la acecha. La organización internacional prevé (o puede imaginar) maneras en que Haití y el mundo unan esfuerzos para que la situación revelada y subrayada por el terremoto no se repita.

Haití no debe ser noticia hoy y olvido pasado mañana. Haití no cuenta con un Estado nacional ni un sector público organizados. Los Estados Unidos de América no pueden suplir esas ausencias. La inteligencia de Barack Obama consiste en asociar a Norteamérica con el esfuerzo de muchos otros países. Porque Haití pone a prueba la globalidad devolviéndole el nombre propio: internacionalización, es decir, globalidad con leyes.
P.S. Una manera de entender a Haití más allá de la noticia diaria consiste en leer a algunos autores de un país de cultura rica, economía pobre y política frágil. Me refiero a Los gobernadores del Rocío de Jacques Roumain, un autor que partió de una convicción: el orgullo de los haitianos en su cultura. Tanto en Los gobernadores como en La presa y la sombra y La montaña encantada, Roumain resume en una frase el mal de Haití: "Todo mi cuerpo me duele". Junto con él, los hermanos Pierre Marcelin y Philippe Thoby-Marcelin escribieron la gran novela del Haití del vudú, las peleas de gallos y la superstición, Canapé-Vert, así como El lápiz de Dios y Todos los hombres están locos. Esta última prologada en inglés por Edmund Wilson, quien ve en ella, más allá del drama de Haití, "la perspectiva de las miserias y fracasos de la raza humana, nuestros amargos conflictos ideológicos y nuestras ambiciones aparentemente inútiles".

transcrito, com a devida vénia, de El Pais, 21/01/2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nós, latino-americanos

Inicio de ano marcado pelo reencontro virtual com muitos "hermanos" que estao espalhados por ai...saudades de todos. A todos dedico...

Nós, latino-americanos


Somos todos irmãos
mas não porque tenhamos
a mesma mãe e o mesmo pai:
temos é o mesmo parceiro
que nos trai.

Somos todos irmãos
não porque dividamos
o mesmo teto e a mesma mesa:
divisamos a mesma espada
sobre nossa cabeça.

Somos todos irmãos
não porque tenhamos
o mesmo braço, o mesmo sobrenome:
temos um mesmo trajeto
de sanha e fome.

Somos todos irmãos
não porque seja o mesmo sangue
que no corpo levamos:
o que é o mesmo é o modo
como o derramamos.

Ferreira Gullar
Do livro: Barulhos, José Olympio, 1987, RJ

sábado, 2 de janeiro de 2010

o primeiro livro do ano

Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).

Ferreira Gullar

Do livro: Barulhos, José Olympio, 1987, RJ

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Es que somos muy pobres

Uma das coisas que eu mais gosto é de chuva! Olhar o horizonte tempestivo da casa dos milagres era algo incrível para mim. Verdadeiras tempestades diluviais se aproximavam e ameaçavam engolir a cidade pernambucana quando na verdade apenas lavavam aquelas mal cheirosas ladeiras históricas de Olinda. Não sei que espécie de mágica diminuía a intensidade dessas nuvens assim que passavam pela minha varanda!
E foi com uma tempestade pré-crepúsculo que eu terminei o ano de 2009. No meio do mar, com a máscara de mergulho, nadadeira, um pouco de frio, uma água mais ou menos clara, tartaruga errante e espécies novidade como as lesmas aquáticas amarelo-ovo que saem de seus esconderijos ao escurecer. Os raios de sol que atravessavam a nebulosa tarde chegavam cada vez mais oblíquos e mudavam as cores da paisagem aquática. Foi daí que chegou a chuva, e depois da chuva a tempestade. E depois da tempestade veio a alma lavada. Pronta para encarar a virada de ano!
Mas o fato é que a chuva não recuou, não cessou e seguiu por mais de 24 horas seguidas. Molhou o vestido branco, benzeu o ritual das sete ondas, deixou a champagne mais aguada, foi trilha sonora da festa na laje e amanheceu com a louça suja espalhada pela casa. Ninguém dimensionava ainda o impacto que ela levava a vida de tantas outras pessoas. Antes de ver os trágicos desfechos na televisão eu apreciava os efeitos da chuva no horizonte da varanda e abria aquele livro na rede... e não por acaso eu lia aquele conto... (já na lista dos meus 10 mais lindos contos)

Es que somos muy pobres
Juan Rulfo
Aquí todo va de mal en peor. La semana pasada se murió mi tía Jacinta, y el sábado, cuando ya la habíamos enterrado y comenzaba a bajársenos la tristeza, comenzó a llover como nunca. A mi papá eso le dio coraje, porque toda la cosecha de cebada estaba asoleándose en el solar. Y el aguacero llegó de repente, en grandes olas de agua, sin darnos tiempo ni siquiera a esconder aunque fuera un manojo; lo único que pudimos hacer, todos los de mi casa, fue estarnos arrimados debajo del tejabán, viendo cómo el agua fría que caía del cielo quemaba aquella cebada amarilla tan recién cortada.
Y apenas ayer, cuando mi hermana Tacha acababa de cumplir doce años, supimos que la vaca que mi papá le regaló para el día de su santo se la había llevado el río
El río comenzó a crecer hace tres noches, a eso de la madrugada. Yo estaba muy dormido y, sin embargo, el estruendo que traía el río al arrastrarse me hizo despertar en seguida y pegar el brinco de la cama con mi cobija en la mano, como si hubiera creído que se estaba derrumbando el techo de mi casa. Pero después me volví a dormir, porque reconocí el sonido del río y porque ese sonido se fue haciendo igual hasta traerme otra vez el sueño.
Cuando me levanté, la mañana estaba llena de nublazones y parecía que había seguido lloviendo sin parar. Se notaba en que el ruido del río era más fuerte y se oía más cerca. Se olía, como se huele una quemazón, el olor a podrido del agua revuelta.
A la hora en que me fui a asomar, el río ya había perdido sus orillas. Iba subiendo poco a poco por la calle real, y estaba metiéndose a toda prisa en la casa de esa mujer que le dicen la Tambora. El chapaleo del agua se oía al entrar por el corral y al salir en grandes chorros por la puerta. La Tambora iba y venía caminando por lo que era ya un pedazo de río, echando a la calle sus gallinas para que se fueran a esconder a algún lugar donde no les llegara la corriente.
Y por el otro lado, por donde está el recodo, el río se debía de haber llevado, quién sabe desde cuándo, el tamarindo que estaba en el solar de mi tía Jacinta, porque ahora ya no se ve ningún tamarindo. Era el único que había en el pueblo, y por eso nomás la gente se da cuenta de que la creciente esta que vemos es la más grande de todas las que ha bajado el río en muchos años.
Mi hermana y yo volvimos a ir por la tarde a mirar aquel amontonadero de agua que cada vez se hace más espesa y oscura y que pasa ya muy por encima de donde debe estar el puente. Allí nos estuvimos horas y horas sin cansarnos viendo la cosa aquella. Después nos subimos por la barranca, porque queríamos oír bien lo que decía la gente, pues abajo, junto al río, hay un gran ruidazal y sólo se ven las bocas de muchos que se abren y se cierran y como que quieren decir algo; pero no se oye nada. Por eso nos subimos por la barranca, donde también hay gente mirando el río y contando los perjuicios que ha hecho. Allí fue donde supimos que el río se había llevado a la Serpentina, la vaca esa que era de mi hermana Tacha porque mi papá se la regaló para el día de su cumpleaños y que tenía una oreja blanca y otra colorada y muy bonitos ojos.
No acabo de saber por qué se le ocurriría a la Serpentina pasar el río este, cuando sabía que no era el mismo río que ella conocía de a diario. La Serpentina nunca fue tan atarantada. Lo más seguro es que ha de haber venido dormida para dejarse matar así nomás por nomás. A mí muchas veces me tocó despertarla cuando le abría la puerta del corral porque si no, de su cuenta, allí se hubiera estado el día entero con los ojos cerrados, bien quieta y suspirando, como se oye suspirar a las vacas cuando duermen.
Y aquí ha de haber sucedido eso de que se durmió. Tal vez se le ocurrió despertar al sentir que el agua pesada le golpeaba las costillas. Tal vez entonces se asustó y trató de regresar; pero al volverse se encontró entreverada y acalambrada entre aquella agua negra y dura como tierra corrediza. Tal vez bramó pidiendo que le ayudaran. Bramó como sólo Dios sabe cómo.
Yo le pregunté a un señor que vio cuando la arrastraba el río si no había visto también al becerrito que andaba con ella. Pero el hombre dijo que no sabía si lo había visto. Sólo dijo que la vaca manchada pasó patas arriba muy cerquita de donde él estaba y que allí dio una voltereta y luego no volvió a ver ni los cuernos ni las patas ni ninguna señal de vaca. Por el río rodaban muchos troncos de árboles con todo y raíces y él estaba muy ocupado en sacar leña, de modo que no podía fijarse si eran animales o troncos los que arrastraba.
Nomás por eso, no sabemos si el becerro está vivo, o si se fue detrás de su madre río abajo. Si así fue, que Dios los ampare a los dos.
La apuración que tienen en mi casa es lo que pueda suceder el día de mañana, ahora que mi hermana Tacha se quedó sin nada. Porque mi papá con muchos trabajos había conseguido a la Serpentina, desde que era una vaquilla, para dársela a mi hermana, con el fin de que ella tuviera un capitalito y no se fuera a ir de piruja como lo hicieron mis otras dos hermanas, las más grandes.
Según mi papá, ellas se habían echado a perder porque éramos muy pobres en mi casa y ellas eran muy retobadas. Desde chiquillas ya eran rezongonas. Y tan luego que crecieron les dio por andar con hombres de lo peor, que les enseñaron cosas malas. Ellas aprendieron pronto y entendían muy bien los chiflidos, cuando las llamaban a altas horas de la noche. Después salían hasta de día. Iban cada rato por agua al río y a veces, cuando uno menos se lo esperaba, allí estaban en el corral, revolcándose en el suelo, todas encueradas y cada una con un hombre trepado encima.
Entonces mi papá las corrió a las dos. Primero les aguantó todo lo que pudo; pero más tarde ya no pudo aguantarlas más y les dio carrera para la calle. Ellas se fueron para Ayutla o no sé para dónde; pero andan de pirujas.
Por eso le entra la mortificación a mi papá, ahora por la Tacha, que no quiere vaya a resultar como sus otras dos hermanas, al sentir que se quedó muy pobre viendo la falta de su vaca, viendo que ya no va a tener con qué entretenerse mientras le da por crecer y pueda casarse con un hombre bueno, que la pueda querer para siempre. Y eso ahora va a estar difícil. Con la vaca era distinto, pues no hubiera faltado quién se hiciera el ánimo de casarse con ella, sólo por llevarse también aquella vaca tan bonita.
La única esperanza que nos queda es que el becerro esté todavía vivo. Ojalá no se le haya ocurrido pasar el río detrás de su madre. Porque si así fue, mi hermana Tacha está tantito así de retirado de hacerse piruja. Y mamá no quiere.
Mi mamá no sabe por qué Dios la ha castigado tanto al darle unas hijas de ese modo, cuando en su familia, desde su abuela para acá, nunca ha habido gente mala. Todos fueron criados en el temor de Dios y eran muy obedientes y no le cometían irreverencias a nadie. Todos fueron por el estilo. Quién sabe de dónde les vendría a ese par de hijas suyas aquel mal ejemplo. Ella no se acuerda. Le da vueltas a todos sus recuerdos y no ve claro dónde estuvo su mal o el pecado de nacerle una hija tras otra con la misma mala costumbre. No se acuerda. Y cada vez que piensa en ellas, llora y dice: "Que Dios las ampare a las dos."
Pero mi papá alega que aquello ya no tiene remedio. La peligrosa es la que queda aquí, la Tacha, que va como palo de ocote crece y crece y que ya tiene unos comienzos de senos que prometen ser como los de sus hermanas: puntiagudos y altos y medio alborotados para llamar la atención.
-Sí -dice-, le llenará los ojos a cualquiera dondequiera que la vean. Y acabará mal; como que estoy viendo que acabará mal.
Ésa es la mortificación de mi papá.
Y Tacha llora al sentir que su vaca no volverá porque se la ha matado el río. Está aquí a mi lado, con su vestido color de rosa, mirando el río desde la barranca y sin dejar de llorar. Por su cara corren chorretes de agua sucia como si el río se hubiera metido dentro de ella.
Yo la abrazo tratando de consolarla, pero ella no entiende. Llora con más ganas. De su boca sale un ruido semejante al que se arrastra por las orillas del río, que la hace temblar y sacudirse todita, y, mientras, la creciente sigue subiendo. El sabor a podrido que viene de allá salpica la cara mojada de Tacha y los dos pechitos de ella se mueven de arriba abajo, sin parar, como si de repente comenzaran a hincharse para empezar a trabajar por su perdición.