domingo, 25 de janeiro de 2009

sábado, 24 de janeiro de 2009

Trégua!

"Segunda-feira, 23 de setembro

Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus."

A Trégua, Mario Benedetti

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

PRONTA?!?!?!

"Se não for agora, não será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será em um momento qualquer. Estar pronto é tudo".

Hamlet (ato 5, cena 2).

sábado, 10 de janeiro de 2009

Meta 2009: Traduzir se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Ferreira Gular
De Na Vertigem do Dia (1975-1980)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

VAMOS AO MEXICO?

Seria absurdo demais ler este texto do Erico e confundi-lo com um texto meu?

“ E nós sabemos que a vida, major, não merece bocejos. É rica demais, séria demais, interessante demais e principalmente curta demais para que fiquemos diante dela nessa atitude de fastio. Em suma, estou cansado deste mundo lógico, anseio por voltar, nem que seja por poucos dias, a um mundo mágico. Sinto saudade da desordem latino-americana,das imagens, sons e cheiros de nosso mundinho em que o relógio é apenas um elemento decorativo e o tempo, assunto de poesia. Dêem-me o México, o mágico México, o absurdo México! Há um ano e pouco visitei esse país, meu poeta, e voltei a Washington perturbado com o pouco que vi e o mundo que adivinhei. O gosto de México ainda não me saiu da memória. Doce? Não. Amargo? Também não. Esquisito, raro, diferente, mistura de tortilla, cigarro de palha, chile e sangue. Um gosto seco, às vezes com certa aspereza de terra desértica, não raro com inesperadas e perecíveis doçuras de fruto tropical. Se eu fosse dar-lhe uma cor, diria que é um gosto pardo. Se me pedissem para qualificá-lo, arriscaria dizer: gosto de rústica tragédia. Céus! Será que estou ficando metafísico? Positivamente, William Shakespeare, preciso urgentemente dumas férias.”
Erico Verissimo
Comentário extraído do livro México - 5a. edição

Atravessando a fronteira da Guatemala rumo ao México! Julho 2006

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

O amor é filme (e Deus o expectador)

Domingo, 04 de janeiro de 2009

Comecei o ano angustiada. Aí pensei em Pedro Juan e disse a mim mesma, não pense, canalize pra outra coisa. Escreva, pinte, cante, ande ou grite. Gritei. Um grito abafado, sem som e sem timbre, mas de dentro, com força, cheio de energia. Senti que todos os músculos do meu rosto se contraiam e se misturavam com a olheira e o inchaço da bebida, a pele seca e machucada, o olho sem brilho, a expressão de desespero. As deformações se metamorfoseavam e ganhavam cor e lágrimas. Mas aquilo não saía. De fato tem algo que a imagem no espelho não revela, não reflete. É um movimento sem imagem, uma tortura que não existe no plano físico, uma explosão de sentimentos que não ocupam lugar no espaço.
Não preciso dizer que não dormi. Com o corpo cansado desisti da tentativa de enganar esta forte energia que não se dissipava por nenhum dos poros do meu corpo e me enfiei debaixo do chuveiro. Enrolada na toalha li mais dois contos que poderiam ser relidos com o caráter de inéditos e em seguida fui me vestir e tomar um bom café.
No caminho para o aeroporto a garoa e o céu nublado se aliavam às ruas vazias e um audível e estrondoso silêncio. Queriam incitar de novo aquela massa de pólvora que se contorcia dentro de mim. Controlei-me. Às vezes respirar compassadamente resolve ou alivia estes ímpetos cíclicos. Do lado de fora do carro, aviões pousavam em curtos intervalos regulares trazendo de volta uma pequena parcela daqueles que em breve vão poluir todas as ruas e ruelas da cidade. Talvez não exatamente a minha irmã, ou pelo menos não da forma mais direta. Com ela no carro, o cansaço retornou e me deixou mais dispersa, perdi algumas entradas e tive que fazer alguns retornos. O cenário ficava ainda mais onírico, só que em caráter de pesadelo.
De volta na mesma cama. Agora o pesadelo foi real, mas por outro lado me trouxe de saldo algumas horas de sono efetivas. Despertei no momento mais esquisito dele. De volta ao banheiro e a minha cara no espelho entardeceu ainda pior. Desta vez não apresentava movimento. Estava murcha, cansada, profunda e simetricamente diferente. Estática. Continuava seca e com as feridas mais evidentes. Os olhos ainda menores do que o habitual. E pesava, mas como pesava aquela máscara esculturada no meu rosto...
Segunda incursão ao aeroporto. Mesmo cenário. Mesmo som, mudavam as luzes do entardecer. A diaba da coisa acordou com tudo e me arrancou lágrimas enquanto observava os aviões cruzarem a avenida... Muitos minutos e muitas conexões nervosas em pane. Palavras encadeadas esperando um gesto. "Gestuado". A coisa respirou um pouco aliviada. Em seguida, a chegada dos meus pais.

sábado, 3 de janeiro de 2009

2009 - Este ano começa com um doce amargo sabor de Cuba

" ...O velho me fez perder o fio do conto de Rogélio. Escrevi há vários anos. Rogelio tinha acabado de morrer e imaginei muitas coisas da vida dele. Não é um bom conto. A realidade é melhor. Nua e crua. Tal como está na rua. Você pega com as duas mão e, se tiver força, ergue do chão e a deixa cair na página em branco. Pronto. É fácil. Sem retoques. Às vezes a realidade é tão dura que as pessoas não acreditam. Lêem o conto e dizem: ´Não, não, Pedro Juan, tem coisas aqui que não funcionam. Você forçou a mão inventando.´Mas não. Nada é inventado. Só tive força pra pegar toda essa maçaroca da realidade e deixá-la cair de supetão em cima da página em branco..."

"...Era muito bom trepar assim. Luisa me contava suas histórias pornôs com seus maridos anteriores, e eu, as minhas. Sussurrávamos no ouvido um do outro, com todos os detalhes, tínhamos orgasmos e continuávamos e continuávamos. Um psicólogo teria bastante trabalho só de nos ouvir enquanto fazíamos amor com Luisa apertando minhas nádegas com os calcanhares e levantando bem os joelhos para que eu entrasse todo dentro dela. `Até o fundo, assim, pra doer!´, repetia sem parar. Um verdadeiro banquete para um psicólogo. No fim das contas, os psicólogos sempre são da classe média. Mas a classe média nunca sabe de nada. Por isso sempre está apavorada e quer saber o que é certo e o que é errado e como se pode corrigir isso e aquilo. Acham tudo anormal. Deve ser terrível pertencer à classe média e querer julgar tudo assim, de fora, sem molhar os pés..."

"... El PALENQUE. Faz anos que saí de lá. É um aglomerado de casas de lata, madeira podre e pedaços de plástico. Ao lado do rio Quibú, que tem cheiro de merda desde que Deus o fez. Quando eu era criança estava convicto de que todos os rios são de merda. Quando vi um de água fiquei assombrado e perguntei como tinham eliminado a merda e a lama para deixá-lo tão limpinho..."

In: Trilogia Suja de Havana. Pedro Juan Gutiérrez

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009 - ARES


Marte e Vênus

A aliança entre a guerra e o amor, entre a força e a beleza, é uma idéia inteiramente conforme ao espírito grego. Apesar de brutalíssimo, não pôde Marte resistir a Vênus que o subjuga e domina com um sinal: da união de Marte e Vênus nasceu Harmonia. Vários monumentos antigos, notadamente o famoso grupo do museu de Florença e o do museu Capitolino, reproduzem essa ligação que também se vê em pedras gravadas.
Os romanos gostavam de fazer-se representar com suas mulheres, e usando os atributos de Marte e Vênus; era uma alusão à coragem do homem e à beleza da mulher. Aliás, os romanos consideravam Marte e Vênus autores da sua raça, e durante a época imperial, dava-se freqüentemente aos deuses a feição dos imperadores. Assim é que temos no Louvre um grupo, cuja personagem masculina parece ser Adriano ou Marco Aurélio, e que representa Marte ao lado de Vênus. Mas a imperatriz está vestida. Vários arqueólogos pensam que a Vênus de Milo estava ao lado da estátua de Marte. A arte dos últimos séculos ligou igualmente as duas divindades e, num encantador quadro do Louvre, le Poussin nos mostra o deus da guerra, esquecido dos seus atributos e do seu papel, sorrindo para a deusa, enquanto os cupidos brincam tranqüilamente com as armas, no meio de risonha paisagem.
Marte e Vênus eram apaixonados e rolava uma atração muito grande entre eles, e assim apesar do perigo de serem descobertos não resistiam e se encontravam para saciar a sua sede mútua. O Sol, Apolo, o deus que tudo via, contou a Vulcano que sua mulher o traía. Este confeccionou uma rede de ouro invisível e armou uma armadilha para os amantes. Quando foram consumar mais uma vez o adultério, Vênus e Marte ficaram aprisionados ao leito, e Vulcano trouxe todos os deuses para observar a vergonha da Vênus.
Ao serem libertados, Vênus esperava que Marte assumisse o seu amor e mesmo expulsos do Olimpo fossem vagar pelos cantos da terra juntos. Porém Marte frustou a deusa abandonando-a.
Vênus, transformando seu amor em ódio, rogou uma praga para que Marte se apaixonasse por todas mulheres que visse, tornando-se assim um deus constantemente apaixonado, mas abandonador. Sendo seduzido, gostando, amando, mas perturbado, tendo que deixar, abandonar. A primeira mulher que encontrou e se apaixonou foi Aurora esposa de Astreu.
Encontramos neste mito o Arquétipo do masculino e do feminino. A mulher sempre desejando ser amada mesmo diante de situações mais difíceis, enquanto o homem não consegue assumir o amor que sente, procurando afogar suas paixões se entregando a outras.
Mais detalhes em:
http://www.mundodosfilosofos.com.br/marte.htm