segunda-feira, 29 de junho de 2009

TODOS EMIGRAM

Canto dos Emigrantes

Com seus pássaros
ou a lembrança de seus pássaros,
com seus filhos
ou a lembrança de seus filhos,
com seu povo
ou a lembrança de seu povo,
todos emigram.

De uma quadra a outra
do tempo,
de uma praia a outra
do Atlântico,
de uma serra a outra
das cordilheiras,
todos emigram.

Para o corpo de Berenice
ou o coração de Wall Street,
para o último templo
ou a primeira dose de tóxico,
para dentro de si
ou para todos, para sempre
todos emigram.

Alberto da Cunha Melo

domingo, 28 de junho de 2009

Faltou o noivo!

Que pena...

Mercado Masaya, Nicaragua, 2006

sábado, 27 de junho de 2009

Mas e se esquecer a camera digital??

Hoje vive-se a viajar: antes, admirando fotos e mais fotos do cobiçado destino, para, depois, viajar nas fotos tiradas do destino ido...
A presença - física - converte-se em imagem: enquadrada, congelada, emoldurada. Sem cheiro, sabor... nem viva cor. Sao fixas e eternizadas em espaçosos álbuns de retrato... albuns de retrato??? O que é isso mesmo? Nada!! é Fotoblog! Pasta de imagens... CD, pendrive, datashow!
é, datashow! mostra no datashow! show...
mas....
e se esquecer a camera???? ...
hummm... sorry... nesse caso nao viajou!!
Chau!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Em busca do "amarelo-torrado" do menino Ondjaki

"...Das obras, do lado de lá do nosso antigo largo, ali onde a poeira não conseguia nunca aterrar, ficava essa coisa linda que todos dias me ensinava a cor azul: o mar grande, mais conhecido por oceano.”

"...Era cedo mesmo, o sol já tinha nascido mas ainda se podia olhar aquele amarelo bruto e forte que não se pode afinal olhar. Eu gosto muito mais do amarelo-torrado que aparece no fim da tarde, mas não nos últimos minutinhos antes de o sol mergulhar, ai já é amarelo a fugir para laranja quase encarnado. É antes disso. O amarelo-torrado é uma cor que aparece muito rapidamente e que não se pode demorar muito para se entender que já aconteceu. Mas há um segredo: o amarelo-torrado, às vezes, também aparece nos meus sonhos."


Sequencia de fotos em Roatan, Honduras, 2006

Ondjaki, AvoDezanove e o segredo soviético

domingo, 21 de junho de 2009

Metade da melanina e a melanina toda!

E assim geraçoes de latinoamericanos sao formados...
Metade dos meus genes nasceram no 21 de junho... estes ja vinham de mais longe, de genes que nasceram em tempos mais remotos...mas ainda em territorio nacional. Se continuar avançando, vou atravessar o oceano e chegar la, na madre Italia, e em seus vizinhos espanhois, eita sangue quente! Mas ha também outros caminhos que me fazem permanecer em territorio nacional! E outros me remetem ainda a outros continentes, um inclusive que ja estive bem proximo ao nosso!
é, tem gene de indio e tem gene de negro também! Marisinha, ou Maria Luiza para os formais

sexta-feira, 12 de junho de 2009

In love with

Viva a alegria
E viva o prazer
De estar gostando de viver
Viva o oxigênio
Que invade o nariz
E faz a gente ser feliz

Viva a natureza
Deusa da beleza
Mãe das coisas que são boas
Viva a harmonia
O beijo na boca
E quem sabe fazer amor

Viva a alegria
E viva o prazer
De estar gostando de viver
Viva a maravilha
Que somos eu e tu
E viva o rabo do tatu

Kledir Ramil

segunda-feira, 8 de junho de 2009

“Há gente que nasce longe de casa”

"
Num aeroporto afectado pela “crise”, eu deveria efectuar um voo de conexão e tentava explicar o óbvio: Minha senhora, repare que eu já tenho cartão de embarque, não preciso de vir para esta fila.
- Se lhe disseram para vir para esta fila, é porque tem de vir – nesse diálogo de surdos, a funcionária voltou-me as costas, sem me dar tempo a replicar.
Meia hora decorrida e muita impaciência acumulada, cheguei ao balcão. Mostrei o cartão de embarque: “O senhor não precisava de vir aqui para esta fila. E, agora, já fechou o chek in do seu voo – disse-me, sem me olhar. Telefonou, teclou, entregou-me um novo cartão de embarque para um voo que partiria três horas depois. Cabisbaixa, disse-me: Foi o máximo que pude fazer… Em silêncio, afastei-me.
Enquanto aguardei o tardio voo, observei os passos em volta: gente cochilando, gente reclamando, gente apática, ou resignada, tal como eu… Tive tempo suficiente para meditar, transgredindo a ordem do superficial” e concluir que, nos grandes aglomerados humanos, as pessoas se submetem a uma forçada convivência, toleram o outro sem o aceitar, suportam um “aturai-vos uns aos outros” num incómodo mal disfarçado.
La Rochelle disse que “a cidade não é a solidão porque a cidade aniquila tudo quanto povoa a solidão – a cidade é o vazio”. Isso mesmo: um vazio com raízes que eu busco esclarecer. Inevitavelmente, a minha cultura profissional isolou as raízes de uma instituição geradora de vazios: chamou a Escola à colação. As escolas onde as funcionárias do aeroporto e os seus clientes se formaram eram arquipélagos de solidões povoados por rituais vazios de significado.
Educar é assumir responsabilidade social, solidarizar-se eticamente. Somos marcados pela incompletude, geneticamente sociais e geneticamente históricos, porque, como diria Walon ou Freire, criamos vínculos. A arte de conviver (viver com) exige uma atitude de abertura, o reconhecimento do outro e o respeito pela pessoa do outro. Mas onde se poderá aprender essa arte? Na Escola? Na Família? Na televisão? Na internet?
A Educação do Homem percorre caminhos sinuosos. Antes de ser escolarizada, a criança já esteve passivamente exposta a muitos milhares de horas de televisão, sem agir criticamente sobre as mensagens, sem discernimento para se proteger de programações imbecis. Forma-se o solitário adulto espectador no vazio da indiferença: “Militares americanos bombardearam uma aldeia afegã. As bombas visavam matar talibans, mas assassinaram crianças. Para os militares o raid aéreo foi um sucesso, fundamentando: “Quem nos garante que esses meninos não viriam ser perigosos talibans?”
O Sartre estava certo de que, se não somos responsáveis pelo que fizeram de nós, somos responsáveis por aquilo que fizermos com aquilo que fizeram de nós. E eu opto por pensar nos professores que eu conheço, que já vão trocando uma profissão solitária por uma profissão solidária.
E não se trata de uma mera troca de uma consoante por outra consoante. Trata-se de uma profunda mudança cultural. O primeiro passo dessa reconversão consiste em os professores se sentarem à volta de uma mesa, ou na relva de um parque, para se transformarem numa equipe. Um projecto faz-se com pessoas, privilegiando laços afectivos. Com pessoas conciliadas consigo e com os seus pares. Com esta reconfortante reflexão, aquieto-me.
E o tempo de espera pelo voo fica mais breve, mais suportável. Embora saiba que ainda há muita gente distante de si própria! Como diria a Maria, “às vezes, há gente que nasce longe de casa...”

"
José Pacheco, em Pequeno Dicionario de Absurdos da Educaçao (alguns verbetes)

terça-feira, 2 de junho de 2009

é preciso ser desprendido! muito desprendido...

Diversidade cultural, =0D, diferentes povos e culturas, ahhhh..., diferenças...!! Delicia!

Conhece-las!!! Observa-las! Entende-las... Prova-las? ..testa-las?
ééééé ... e x p e r i m e n t a - l a s.... ?


San Blas - Panama - maio 2006

hummmmmmmmmmm

nem sempre é uma questao de opçao!


segunda-feira, 1 de junho de 2009

tuc tuc

voce ja ouviu isso por ai?

Bom, ao menos voce tem a sorte de ainda nao ter avistado nenhum "tuc tuc" atravessando o seu caminho...

A América central ja nao pode dizer o mesmo! Aperte os cintos (que cintos?), feche o vidros (vidros???), segure-se (atente para o "puta que pariu" na lateral do veiculo) e cuidado para nao colidir com as centenas de milhares desses pontinhos vermelhos que transitam pelas ruas e, pasmem(!), pelas ESTRADAS de diversas cidades nicaraguenses, guatelmatecas, "chiapanas"!!!

ps: hummmm, nao me recordo, nao sei se nao reparei, mas nao me lembro se isso ai tinha buzina...

Ar, fogo, agua e terra

tudo em uma unica paisagem!
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Trilha de Bike: San Domingos - Charco Verde - Ometepe (vulcao Maderas)
Nicaragua - maio - 2006