quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

E o tempo passa junto com os anos...

Encontrei Mario na Costa rica... e agora leio Mario...

Pasatiempo
Mario Benedetti

Cuando éramos niños
los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.

Luego cuando muchachos
los viejos eran gente de cuarenta
un estanque un océano
la muerte solamente
una palabra.

Ya cuando nos casamos
los ancianos estaban en cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.

Ahora veteranos
ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.

pra não dizer que eu não falei do final do ano...

Reinauguração
Carlos Drummond de Andrade

Entre o gasto dezembro e o florido janeiro,
entre a desmistificação e a expectativa,
tornamos a acreditar, a ser bons meninos,
e como bons meninos reclamamos
a graça dos presentes coloridos.
Nossa idade - velho ou moço - pouco importa.
Importa é nos sentirmos vivos
e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza,
a exata beleza que vem dos gestos espontâneos
e do profundo instinto de subsistir
enquanto as coisas ao redor se derretem e somem
como nuvens errantes no universo estável.

Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos os olhos gulosos
a um sol diferente que nos acorda para os descobrimentos
Esta é a magia do tempo
Esta é a colheita particular
que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante,
no acreditar na vida e na doação de vivê-la
em perpétua procura e perpétua criação.
E já não somos apenas finitos e sós.

Somos uma fraternidade, um território, um país
que começa outra vez no canto do galo de 1º de janeiro
e desenvolve na luz o seu frágil projeto de felicidade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Aniversario

presentes...

HACE MUCHO ENCONTRE UN PAJARITO EN EL BOSQUE, PAJARO ENCANTADOR, ESTABA HERIDO Y LE CONSTRUI UN NIDO TEMPORAL, YO SABIA QUE ERA TEMPORAL Y SE FUE, SOÑE COMO SE IBA, PERO UN DIA DE SORPRESA VOLVIO Y NO ERA PRIMAVERA, VOLVIO AL NIDO POR UNA NOCHE,Y SE FUE.
HACE POCO ME ENCONTRE OTRO PAJARITO QUE HISO QUE YO CONTRUYERA UN NIDO PARA NOSOTROS, (PENSE EN EL OTRO NIDO CON AMOR,PERO ESE FUE TEMPORAL) LO CONSTRUI Y PASARON LOS DIAS Y CUANDO ME DECIDI A OLVIDARME DEL NIDO TEMPORAL LLEGE A MI NIDO NUEVO Y EL PAJARITO TENIA OTRO PAJARITO EN MI LUGAR, ME LLENE DE ODIO POR DENTRO Y ME DI CUENTA DE QUE ESE NIDO FUE INSPIRADO EN EL PRIMER NIDO, Y LO QUE ME CON TODO Y PAJARITO DENTRO.
HOY ME ENCUENTRO EN MI PRIMER NIDO Y NO ES PRIMAVERA Y SE QUE EL PAJARITO QUE VOLO ALGUN DIA VOLVERA(TEMPORALMENTE)QUIERO VER AL PAJARITO.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

CABRÚÚÚÚMMMM

Como choveu na NicarÁGUA!!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Dor da Colômbia

Da Colômbia brotou Botero, de Botero também brotou uma Colômbia...

'O Massacre na Colômbia' 'A Morte na Catedral'

desconhecida em Botero...

Botero possui uma série de obras mais recente e menos conhecida, que retrata o sofrimento do povo colombiano em conseqüência da guerra entre governo, narcotraficantes, guerrilheiros e paramilitares.

Os 'gordinhos' também sofrem!

'Sem Teto'

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Tentativa de tomar cerveja em Cartagena n°2


Enquanto nossa estadia se prolongava em Cartagena, è espera de um veleiro que nos resgatasse dali e cruzasse o mar caribenho para nos deixar em algum ponto da costa panamenha, continuávamos em busca de um cerveja barata! E um lugar legal. Apesar da fama de baladas homéricas, só se via vestígios do que imaginávamos ser aquela cidadela em temporada (turismo e muita vida noturna)! Mas por enquanto sem turistas e com tudo cerrado! Entramos em um bar cubano, que ficava em um sobrado, com mesinhas dentro e fora, nas varandas. A decoração e a música realmente eram muito boas, mas não havia uma viva mosca fora o garçom...e o preço da cerveja...cortava qualquer barato! Então descemos a escada do bar e sentamos no boteco que ficava logo abaixo: mal acreditamos, era o maior ponto de encontro das prostitutas da cidade! Maravilha! Uma delas sentou-se na mesa, apresentou-se por mera formalidade pois de cara nos tratava como se ja fossemos grandes amigas. Conhecia todos por ali e nos apresentava a cada um que entrava no bar... A cervejinha barata e acompanhada se multiplicou em várias durante toda a madrugada. Quanta história. Quanta vida difícil. Tanta risada, tanta falácia, tanta liberdade... era tudo aquilo de verdade? Do lado tinha uma mesa cheia de gente, homens e mulheres, quase todos negros, riam muito. Alta rotatividade no bar, praticamente todos conhecidos. Ela selecionava as pessoas com quem podíamos falar. Seu olhar tornava-se cada vez mais embaralhado, os gestos todos mais e mais desincronizados, escutava tropeçando na fala.
Um pouco mais tarde começavam a chegar os vendedores ambulantes, ou mais popularmente conhecidos como hippies. Um pouco antes, na caminhada da tarde, reclamávamos da abordagem, da filação de cigarro, da esmolagem. Agora compartilhávamos a cerveja do boteco. Houve um, ja nao me lembro mais seu nome..., que integrou a nossa mesa. Era um dos "selecionados". Dia vazio para ele também, a solução era mesmo gastar com algumas.
Agora era o momento onde ninguém mais barganhava, vendia ou cobrava. Esquecíamos um pouco os nossos papéis, nossas classes, origens, nacionalidades ou dificuldades e simplesmente bebíamos um gelada cerveja de boteco, com tudo o que isso possa representar.

Museu de Arte Moderna de Cartagena, "Damitas-2005", Alfredo Araujo

Um telefone chamado Gabriel


Tentávamos improvisar em Cartagena e encontrar um lugar legal pra sentar, comer e tomar umas cervejinhas. Algum lugar no sítio histórico, entre aqueles muros todos que separam Cartagena 'histórica' de Cartagena 'nova'. Voltas e mais voltas sob a luz de charmosos lampiões elétricos e sentamos em um lugar mais afastado, menos glamouroso. Simples. E barato. De um dono e garçons simpáticos. De repente o telefone toca e ele, o dono, atende. Muitas risadas...conversa longa. Ele chama músicos pra tocar cantigas tradicionais para o telefone...chama pessoas para falar com o telefone...a conversa se prolonga... tem jeito de especial...o telefone também fala...bastante...Dá uma certa curiosidade de saber o que diz aquele aparelho que circula pelas mesas da rua, pela calçada, entra e sai do balcão. Toma cerveja! Até que... ele desliga!

Foto: Gabi

Então tá, adios, Gabriel Garcia Marques!

sábado, 8 de dezembro de 2007

Plágios (?)

Desde o primeiro dia, eu quis falar dela... mas não assim de uma maneira descritiva... Queria antes uma forma poética, mas que não perdesse o concreto de vista, e que sendo concreto não deixasse fugir sua essência. O tempo passou, não resistiu à separação, a cidade ficou vazia de palavras. Foi então que apareceu a outra... Conheci outra cidade que, apesar de diferente, me despertava a mesma impressão. Como se fossem duas irmãs gêmeas sem ser iguais, mas fruto de um mesmo parto, ou de um mesmo sentimento. A dificuldade voltou! Como falar daquela nova paisagem que antes de se fazer vista, foi primeiro habitada, e habitada se fez de novo...a primeira...OLinda...
Aí Ítalo Calvino me descreveu Sofrônia... E aí sim, que eu nunca mais consegui ensaiar nada escrito sobre elas...troquei o "Sofrônia" por 'Olinda' e em seguida por 'Alajuela'... e sequer acrescentei palavras minhas...
...
As Cidades Delgadas

A cidade de Sofrônia (Olinda) é composta de duas meias cidades. Na primeira, encontra-se a grande montanha-russa de ladeiras vertiginosas, o carrossel de raios formados por correntes, a roda-gigante com cabinas giratórias, o globo da morte com motociclistas de cabeça para baixo, a cúpula do circo com os trapézios amarrados no meio. A segunda meia cidade é de pedra e mármore e cimento, com o banco, as fábricas, os palácios, o matadouro, a escola e todo o resto. Uma das meias cidade é fixa, a outra é provisória e, quando termina a sua temporada, é desparafusada, desmontada e levada embora, transferida para os terrenos baldios de outra meia cidade.Assim, todos os anos chega o dia em que os pedreiros destacam os frontões de mármore, desmoronam os muros de pedra, os pilares de cimento, desmontam o ministério, o monumento, as docas, a refinaria de petróleo, o hospital, carregam os guinchos para seguir de praça em praça o itinerário de todos os anos. Permanece a meia Sofrônia (Olinda) dos tiros-ao-alvo e dos carrosséis, com o grito suspenso do trenzinho da montanha-russa de ponta-cabeça, e começa-se a contar quantos meses, quantos dias se deverão esperar até que a caravana retorne e a vida inteira recomece.
...
La ciudad de Sofronia (Alajuela) se compone de dos medias ciudades. En una está la gran montaña rusa de ríspidas gibas, el carrusel con el haz estrellado de sus cadenas, la rueda con sus jaulas giratorias, el pozo de la muerte con sus motociclistas cabeza abajo, la cúpula del circo con su racimo de trapecios colgando en el centro. La otra media ciudad es de piedra y mármol y cemento, con el banco, las fábricas, los palacios, el matadero, la escuela y todo lo demás. Una de las medias ciudades está fija, la otra es provisional y cuando ha terminado su tiempo de estadía, la desclavan, la desmontan y se la llevan para trasplantarla en los terrenos baldíos de otra media ciudad.Así todos los años llega el día en que los peones desprenden los frontones de mármol, deshacen los muros de piedra, los pilones de cemento, desmontan el ministerio, el monumento, los muelles, la refinería de petróleo, el hospital, los cargan en remolques para seguir de plaza en plaza el itinerario de cada año.Ahí se queda la media Sofronia (Alajuela) de los tiros al blanco y los carruseles, con el grito suspendido de la navecilla de la montaña rusa invertida, y empieza a contar cuántos meses, cuántos días tendrá que esperar antes de que la caravana regrese y la vida completa vuelva a empezar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sonho

Acreditávamos que mudaríamos o mundo:

À noite, sonhávamos e, durante o dia, comíamos os sonhos da padaria em frente.

Alex Polari

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Embarcando em "O Turista Aprendiz"

O dia de partida para uma grande viagem é sempre único e inesquecível. Para cada um provoca sensações diferenciadas... a consumação de tão grandiosos planos no ato da despedida é um marco emocional, que se inicia em alguma estação, aeroporto, porto, rodoviária... e vai se transformando, ao longo da travessia...

Assim como Mario Quintana

Eu sempre que parti fiquei nas gares
Olhando, triste, para mim...

Alguns partem dispostos a transformar esta travessia em bloco de notas, que podem ser extensos relatos ou apenas anotações rápidas, "telegráficas". As minhas não foram nenhuma nem outra! Foram notas esparsas, preenchidas por outras realizadas apenas no registro da memória, que é bastante falha... Agora tento recuperar algumas delas e durante este processo embarco com Mario de Andrade em "O Turista Aprendiz", uma espécie de releitura de suas notas de viagem muitos anos depois de seu regresso, notas tomadas durante sua passagem pelo norte do Brasil lá pelos idos 1927. Ele, no entanto, adverte logo no prefácio: 'provavelmente mais resolvido a escrever que a viajar, tomei muitas notas... nenhuma intenção de obra de arte, nem com a menor intenção de dar a conhecer aos outros a terra viajada...' Eu? Advirto: 'muitas intenções em uma única viagem, talvez nenhuma realizada de forma plena... evocar sensações e impressões... mudar o foco, ver através de outros olhares...'

E Mario partiu...

São Paulo, 7 de maio de 1927 - Partida de São Paulo. Comprei pra viagem uma bengala enorme, de cana-da-Índia, ora que tolice! Deve ter sido algum receio vago de índio... Sei bem que esta viagem que vamos fazer não tem nada de aventura ou de perigo, mas cada um de nós, além da consciência lógica possui uma consciência poética também. Às reminiscências de leitura me impulsionaram mais que a verdade, tribos selvagens, jacarés e formigões. E a minha alminha santa imaginou: canhão, revólver, bengala, canivete. E opinou pela bengala.
Pois querendo mostrar calma, meio perdi a hora de partir, me esqueci da bengala, no táxi lembrei da bengala, volto buscar bengala e afinal consigo levar a bengala pra estação. Faltam apenas cinco minutos pro trem partir. Me despeço de todos, parecendo calmo, fingindo alegria. "Boa Viagem, "Traga-me um jacaré"... Abracei a todos. E ainda faltavam cinco minutos outra vez!
Não fui feito pra viajar, bolas! Estou sorrindo, mas por dentro de mim vai um arrependimento assombrado, cor de inceto. Entro na cabina, agora é tarde, já parti, nem posso me arrepender. Um vazio compacto dentro de mim. Sento em mim.

Eu...
Eu não anotei nada sobre as sensações da partida desta última viagem. Nem soube fazer relatos como este, de Mario...Mas me lembro da convicção e da certeza que me acompanharam até o dia derradeiro, depois de abandonar trabalhos, recusar projetos, criar e controlar expectativas e acreditar na escolha. Abraçar causas e crer nelas é como se fosse uma necessidade, um pré requisito fundamental, algo visceral, tem que ser pleno. Algo que me impede ou esconde de mim, a minha tristeza, essa tristeza que acompanha as despedidas, esse olhar encolhido, distante... esse frio na barriga...

OBS: eu, optei pelo canivete suisso, mas o que mais me serviu foi a opçao "lanterna" do meu primitivo aparelho celular!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A palavra

Eu gosto tanto das palavras...
que gostaria de saber encadeá-las...
gostaria de acreditá-las...
de sempre poder e saber dizê-las...
a palavra na América Latina... capítulo 1

Quando uma palavra é duas

Na língua maia do Yucatán, "beijar" se diz ts'uts. "Fumar" também.

Em guarani, che ha'u significa "eu como" e também "eu faço amor", e ñe'e significa "palavra" e também "alma".

Em quíchua*, suk é "um" e ao mesmo tempo é "outro".

*Quíchua, (quíchua:Runa simi) também grafado quechua e quéchua, é uma importante língua indígena da América do Sul, ainda hoje falada por cerca de dez milhões de pessoas de diversos grupos étnicos da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru ao longo dos Andes. Possui vários dialetos inteligíveis entre si. É uma das línguas oficiais da Bolívia, Peru e Equador.

A palavra e a História

Em 1532, o conquistador Pizarro aprisionou o inca Atahualpa, em Cajamarca. Pizarro prometeu-lhe a liberdade, se o Inca enchesse de ouro um grande quarto. O ouro chegou, desde os quatro cantos do império, e abarrotou o quarto até o teto. Pizarro mandou matar o prisioneiro.
Desde antes, desde quando as primeiras caravelas apontaram no horizonte, até nossos dias, a história das Américas é uma história de traição à palavra: promessas quebradas, pactos descumpridos, documentos assinados e esquecidos, enganos, ciladas. "Te dou minha palavra", segue-se dizendo, mas poucos são os que dão, com a palavra, algo mais do que nada.
Não haverá o que aprender com os perdedores, como em tantas outras coisas? Os primeiros habitantes das Américas, derrotados pela pólvora, pelos vírus, pelas bactérias e também pela mentira, compartilhavam a certeza de que a palavra é sagrada, e muitos dos sobreviventes ainda acreditam nisso:
- Dizem que nós não temos grandes monumentos - diz um indígena mapuche, ao sul do Chile. - Para nós, a palavra continua sendo um grande monumento.
Em língua guarani, ñe'e significa "alma" e também significa "palavra":
- A palavra vale - diz um indígena avá-guarani, no Paraguai - porque é nossa alma. Não precisamos colocá-la no papel, para que nos creiam.
As culturas americanas mais americanas de todas foram desqualificadas, desde o início, como ignorâncias. Em sua maioria, não conheciam a escrita. A Ilíada e a Odisséia, as obras fundadoras disso que chamam a cultura ocidental, também foram criadas por uma sociedade sem escrita, e suas palavras voam cada vez melhor. Oral ou escrita, a palavra pode ser um instrumento do poder ou ponte de encontro. A desqualificação tinha, e continua tendo, outro motivo muito mais realista: estamos amestrados para ouvir e repetir a voz do vencedor.
A propósito, vale a pena mencionar a importância que teve a palavra, uma só palavra, durante o recente processo contra os militares que executaram a matança da comunidade indígena de Xamán, na Guatemala. A carnificina ocorreu em 1995, já no período que chamam democrático, e havia uma montanha de provas que condenavam os assassinos; mas até agora o assunto não deu em nada. A secretária que transcreveu o auto processual cometera um erro ortográfico na qualificação penal: ejecusión extrajudicial, escreveu. Os advogados do exército sustentaram que esse delito, escrito assim, ejecusión, não existe. O promotor protestou: foi ameaçado de morte e partiu para o exílio.
O Teatro do Bem e do Mal - Eduardo Galeano
A PalavraTudo é tudo!
"Todas as coisas do mundo não cabem numa idéia.
Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo."
Arnaldo Antunes