sábado, 8 de dezembro de 2007

Plágios (?)

Desde o primeiro dia, eu quis falar dela... mas não assim de uma maneira descritiva... Queria antes uma forma poética, mas que não perdesse o concreto de vista, e que sendo concreto não deixasse fugir sua essência. O tempo passou, não resistiu à separação, a cidade ficou vazia de palavras. Foi então que apareceu a outra... Conheci outra cidade que, apesar de diferente, me despertava a mesma impressão. Como se fossem duas irmãs gêmeas sem ser iguais, mas fruto de um mesmo parto, ou de um mesmo sentimento. A dificuldade voltou! Como falar daquela nova paisagem que antes de se fazer vista, foi primeiro habitada, e habitada se fez de novo...a primeira...OLinda...
Aí Ítalo Calvino me descreveu Sofrônia... E aí sim, que eu nunca mais consegui ensaiar nada escrito sobre elas...troquei o "Sofrônia" por 'Olinda' e em seguida por 'Alajuela'... e sequer acrescentei palavras minhas...
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As Cidades Delgadas

A cidade de Sofrônia (Olinda) é composta de duas meias cidades. Na primeira, encontra-se a grande montanha-russa de ladeiras vertiginosas, o carrossel de raios formados por correntes, a roda-gigante com cabinas giratórias, o globo da morte com motociclistas de cabeça para baixo, a cúpula do circo com os trapézios amarrados no meio. A segunda meia cidade é de pedra e mármore e cimento, com o banco, as fábricas, os palácios, o matadouro, a escola e todo o resto. Uma das meias cidade é fixa, a outra é provisória e, quando termina a sua temporada, é desparafusada, desmontada e levada embora, transferida para os terrenos baldios de outra meia cidade.Assim, todos os anos chega o dia em que os pedreiros destacam os frontões de mármore, desmoronam os muros de pedra, os pilares de cimento, desmontam o ministério, o monumento, as docas, a refinaria de petróleo, o hospital, carregam os guinchos para seguir de praça em praça o itinerário de todos os anos. Permanece a meia Sofrônia (Olinda) dos tiros-ao-alvo e dos carrosséis, com o grito suspenso do trenzinho da montanha-russa de ponta-cabeça, e começa-se a contar quantos meses, quantos dias se deverão esperar até que a caravana retorne e a vida inteira recomece.
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La ciudad de Sofronia (Alajuela) se compone de dos medias ciudades. En una está la gran montaña rusa de ríspidas gibas, el carrusel con el haz estrellado de sus cadenas, la rueda con sus jaulas giratorias, el pozo de la muerte con sus motociclistas cabeza abajo, la cúpula del circo con su racimo de trapecios colgando en el centro. La otra media ciudad es de piedra y mármol y cemento, con el banco, las fábricas, los palacios, el matadero, la escuela y todo lo demás. Una de las medias ciudades está fija, la otra es provisional y cuando ha terminado su tiempo de estadía, la desclavan, la desmontan y se la llevan para trasplantarla en los terrenos baldíos de otra media ciudad.Así todos los años llega el día en que los peones desprenden los frontones de mármol, deshacen los muros de piedra, los pilones de cemento, desmontan el ministerio, el monumento, los muelles, la refinería de petróleo, el hospital, los cargan en remolques para seguir de plaza en plaza el itinerario de cada año.Ahí se queda la media Sofronia (Alajuela) de los tiros al blanco y los carruseles, con el grito suspendido de la navecilla de la montaña rusa invertida, y empieza a contar cuántos meses, cuántos días tendrá que esperar antes de que la caravana regrese y la vida completa vuelva a empezar.

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