segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Tentativa de tomar cerveja em Cartagena n°2


Enquanto nossa estadia se prolongava em Cartagena, è espera de um veleiro que nos resgatasse dali e cruzasse o mar caribenho para nos deixar em algum ponto da costa panamenha, continuávamos em busca de um cerveja barata! E um lugar legal. Apesar da fama de baladas homéricas, só se via vestígios do que imaginávamos ser aquela cidadela em temporada (turismo e muita vida noturna)! Mas por enquanto sem turistas e com tudo cerrado! Entramos em um bar cubano, que ficava em um sobrado, com mesinhas dentro e fora, nas varandas. A decoração e a música realmente eram muito boas, mas não havia uma viva mosca fora o garçom...e o preço da cerveja...cortava qualquer barato! Então descemos a escada do bar e sentamos no boteco que ficava logo abaixo: mal acreditamos, era o maior ponto de encontro das prostitutas da cidade! Maravilha! Uma delas sentou-se na mesa, apresentou-se por mera formalidade pois de cara nos tratava como se ja fossemos grandes amigas. Conhecia todos por ali e nos apresentava a cada um que entrava no bar... A cervejinha barata e acompanhada se multiplicou em várias durante toda a madrugada. Quanta história. Quanta vida difícil. Tanta risada, tanta falácia, tanta liberdade... era tudo aquilo de verdade? Do lado tinha uma mesa cheia de gente, homens e mulheres, quase todos negros, riam muito. Alta rotatividade no bar, praticamente todos conhecidos. Ela selecionava as pessoas com quem podíamos falar. Seu olhar tornava-se cada vez mais embaralhado, os gestos todos mais e mais desincronizados, escutava tropeçando na fala.
Um pouco mais tarde começavam a chegar os vendedores ambulantes, ou mais popularmente conhecidos como hippies. Um pouco antes, na caminhada da tarde, reclamávamos da abordagem, da filação de cigarro, da esmolagem. Agora compartilhávamos a cerveja do boteco. Houve um, ja nao me lembro mais seu nome..., que integrou a nossa mesa. Era um dos "selecionados". Dia vazio para ele também, a solução era mesmo gastar com algumas.
Agora era o momento onde ninguém mais barganhava, vendia ou cobrava. Esquecíamos um pouco os nossos papéis, nossas classes, origens, nacionalidades ou dificuldades e simplesmente bebíamos um gelada cerveja de boteco, com tudo o que isso possa representar.

Museu de Arte Moderna de Cartagena, "Damitas-2005", Alfredo Araujo

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