quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Hora de organizar as fotos...


Ontem recebi um e-mail da Gil com um link para as fotos que ela e o Ninho trouxeram da viagem que acabaram de fazer para a Colômbia! Mal pude acreditar: eles recém chegaram e já organizaram as dezenas e dezenas de fotos (que hoje se tira com as cameras digitais), e ainda por cima todas com legendas!!! Fiquei com a sensação de que vou levar as minhas centenas e centenas de embaralhadas e já um tanto esquecidas fotos comigo, sem ter tido o prazer de compartilhá-las com os amigos...

Talvez esse blog tenha essa função de ir me ajudando a selecionar e divulgar as minhas fotinhos, mas hoje coloco aqui uma foto do casal recém chegado... E uso a legenda DELES para dizer o que EU achei da Colômbia...

Também adorei!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Mercar é trabalho de muitos!

Adoro o termo 'mercar' bastante usado pelo capeta Carybé ao relatar o mercado mais popular e autêntico de Salvador. Não é o mercado Modelo não! Longe disso! É o mercado onde filmaram o "Cidade Baixa", aquele que as pessoas fazem caras e bocas quando escutam você comentar que pretende visitá-lo e emitem um estrondoso "mas, sozinha?!?!?!?" e em seguida te despejam dezenas de conselhos, dicas e precauções a adotar para o intento. Só após tudo isso você está apto a se aventurar por tamanho submundo, é né, já que você insiste... e aí sim pode se maravilhar... Claro que até chegar lá carrega-se uma boa carga de receio que pesa mais do que tudo, mas que se desfaz nos primeiros minutos ao chegar e começar a adentrar as ruelas de barracos... aos poucos vai se transformando em um torturante sentimento de vergonha... um sentimento que se tenta esconder dentro dos mesmos artifícios que se usou para chegar! De que perigos estamos mesmo falando? Mesmo assim nada de fotos... a máquina ficou no seguro esconderijo da casa..., mas as imagens, ah estas ficaram estampadas na melhor parte da memória ...
Durante a sequência de visitas a dezenas de mercados salpicados no roteiro errante da viagem, este quadro se repete... Só a nossa postura é que vai mudando... Quantos e quão diversos são! Haja mercado pra escancarar tanta realidade...

E tem a Feira de Água dos Meninos

“É como se fosse a enxurrada das ladeiras do Canto da Cruz, do Quebrabunda, da Lapinha e da Água Brusca. Fica lá embaixo, junto ao mar, num amontoado inverossímel de barracas, divididas por becos, ruelas e passadiços, formigando de gente, de saveiros, de jegues, frutas, legumes, jabá, cestas e tamancos, camarão seco e raladores de coco, fifós, cana e farinha de guerra.
Cerâmica de todo recôncavo. De todos os feitios e para todos os usos.
Como os depósitos de inflamáveis invadiram o território da feira, um areal alvo onde se comia, à noite, sarapatel e mocotó, onde se amava, se dormia ou se ouviam histórias do mar ao pé dos saveiros. Areal que deu nome aos famosos capitães de areia; pois bem, como os depósitos de inflamáveis invadiram seu território, a feira invadiu a rua. Começa do lado de fora entre as palmeiras reais. Mercam-se ali panelas de alumínio, bacias, canecos e bules. Banha de jibóia para reumatismo, canela de ema para a asma e folhas, casca de paus para curar de tudo. Quase sempre há uma barraca onde se exibe o “homem fera” ou a “mulher-macaco”, bancas de ferro velho e algum cego tirando cantigas.
Na principal rua, a rua que atravessa a feira, mal se pode passar de tanto povo, carroças, caminhões, jegues encangalhados, vendedores, camelôs, balaios. Para andar com um sossego relativo é preciso passar às estreitas ruas entre barracas, ali o espetáculo humano é inesgotável, as mulheres do carimã peneirando a puba, sumidas no cone de sombra de seus enormes chapelões, quando mercam deixam ver seu riso tão branco como os cubinhos de goma que estão oferecendo. Há barracas especializadas em passarinhos onde esvoaçam campeões do canto e da cor, às vezes algum macaco enriquece a fauna, e, um pouco avacalhado com a cor das cuiúbas e dos sofrês, se movimenta amarrado pelo meio fazendo caretas e obscenidades para regozijo da molecada.
Há montanhas de cachos de bananas, de laranja, de pinha, de limas, de cana-de-açúcar, pois é aí que se abastecem os vendedores ambulantes, os hotéis, restaurantes e famílias pobres, Hercúleos carregados descarregam os saveiros, entram na água até o umbigo e voltam carregados com tijolos, carvão, balaios imensos de jiló, porcos, capoeiras de galinhas d’angola ou feixes de caibros, numa técnica toda especial passam a carga a outro e este a outro mais conforme a distância entre o saveiro e o depósito.
No setor das carnes verdes há um personagem sinistro, é o homem que tira miolos e língua das cabeças de boi. Com seu cepo da jaqueira e seu grande machado, este carrasco proletário destrincha as cabeças esfoladas onde os grandes olhos esbugalhados parecem perguntar onde estava o resto do boi. Este personagem está rodeado de mandíbulas e ossos e descarrega suas machadadas com a mesma precisão que seu velho antepassado inglês, o encarregado de decapitar Ana Bolena.
Em água dos meninos, se concentra a produção do recôncavo, chegam as mercadorias de Santo Amaro, Nazaré das Farinhas, Cachoeira, São Francisco do Conde e outras cidades, estivadas na barriga chata dos saveiros que esperam banzos, adernados que os livrem desse peso todo.
O mal da feira é o cheiro espesso a maresia, o barro se chove ou a poeira se faz sol, mas o colorido e a vida compensam e um gole de cachaça com arruda de um dos inúmeros botequins nos limpa a goela e o coração fazendo-os esquecer o cheiro do mangue na maré de vazante, o pó e a inhaca das capoeiras de galinha.”

Carybé


Para colorir...

sábado, 24 de novembro de 2007

Se perdendo pela América Latina...

Arnaldo Antunes

Perdi roupa, perdi sapato, perdi colar, perdi brinco, perdi cartão, perdi dinheiro, perdi ônibus,
perdi contatos, perdi a hora, perdi lugares, perdi pessoas, telefones,
e-mails, palavras, oportunidades... quase perdi o rumo...

Ah, graças a Deus que eu não perdi a AMIGA!!!!

Santa Elena de Uairen - Gran Sabana - Venezuela

Adoro sombras!

E efeitos semelhantes...


Cayos - Chichirivitche - Venezuela
2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sobre ídolos e ecovilas...

Ídolo pra mim é alguém que eu admiro muito e com quem tive a oportunidade de transformar a minha existência, ou seja, um ser real e muito próximo. De repente percebi que andei falando de dois deles, e não posso deixar de citar meu grande mestre, do qual nutro muitas saudades também, e com quem praticamente cresci, me formei e tive a oportunidade de trabalhar, o que quer dizer, conviver!
Salve Edson Hiroshi Séo, grandissíssimo latino americano de olhinhos bem puxados!


Edson Hiroshi Seó é engenheiro agrônomo - ESALQ / USP; pesquisador e educador ambiental; idealizador da Ecovila Clareando em Piracaia / SP ; Fellow da Ashoka (USA) e Mokiti Okada ( Japão ) ; coordenador de cursos de Ferrocimento Artesanal; coordenador de cursos sobre Usos do Bambu; coordenador do Acampamento Franciscando p/ crianças e adolescentes; Prêmio "Qualidade de Vida"- SP / 1996; Prêmio "Qualidade Verde"- DF / 1998; autor dos livros : "Unidade da Vida" e "Terapia Real Cura-te a Ti Mesmo"; colaborador no livro " Terapia Ortomolecular Natural " - Profº Francisco Antunes


Publico aqui dois relatos, dos vários, que ele vem registrando enquanto põe de pé seu grande projeto atual: a Ecovila Clareando!

"Caixa d'água abençoada "




Queridos irmaos da lista Desde que assisti o filme "quem somos nós", me impressionou a parte da memória da água. Quando fiz a nossa caixa d’água esférica , contratei um mestre de obras mineiro que conheci num grupo de meditação. Pessoa de alma boa e boa energia. Quando apresentei o DESENHO da caixa pra ele, (mal sabe ler) ele calculou o material que iria gastar... Me passou a lista. Depois fiz o cálculo estrutural (com raiz quadrada, integral e PI) e pasmem, a diferença foi menos de 5% ! Ai entendi porque o chamam de MESTRE de obras...
Durante a construção, contratamos pessoas escolhidas a dedo e sempre que dava eu ia tocar a viola para relaxar a equipe. Tudo transcorreu em paz e sem acidentes... Bem, a caixa ficou pronta e para impermeabilizá-la contratei um ajudante de boa energia. Ele casado novo, com filhos pequenos, adventista, vegetariano e excelente hortelão. Seu sonho é poder viver de hortas. Bem, como a caixa d’água é esférica, a escada escorrega quando apoiada na parede interna, obrigando um a sentar no primeiro degrau para não ter acidentes. Enquanto ele pintava, eu cantava músicas e mantras e quando eu pintava eu pedia pra ele cantar as músicas de sua igreja. Ah, e o som lá dentro é maravilhoso, parece que tem várias pessoas cantando com quem canta, fica parecendo um coro gregoriano...
Bem, e o filme com tudo isso ?Quero dizer que toda vez que alguém vier nos visitar vou pedir para escrever um sentimento na caixa d’água, pois tudo de melhor que eu tenho impregnei durante todo percurso da sua execução. Bem, por enquanto é isso.

Um abraço a todos do H.



"Central do Brasil"

queridos irmãos da lista

O clareando contratou uma empresa para implantar a rede hidráulica que levou seus operários. Eles construíram um barracão de obra que fica entre a horta e a casa do caseiro. São todos de Alagoas e muitos deles vieram direto pra nossa obra, sendo a primeira vez que se afastaram da família. De vez em quando vou assistir o jornal porque em casa a tv não pega. Alguns são exímios capoeiristas e se interessaram por praticar yoga comigo, e fazemos saudação ao sol antes do trabalho iniciar. Tirei algumas fotos pra eles enviarem pra seus familiares e , surpresa, a maioria não sabe escrever. Pra resolver isso desencalhei minha arqueológica Oliveti Lettera 22 e me dispus a escrever a cartinha pra eles. Cada um foi isolado do outro pra não ficar inibido. Me senti um personagem do filme "central do Brasil", e minha varanda se coloriu de variadas emoções. Fiquei emocionado de perceber por detrás daqueles homens broncos tamanha sensibilidade. Desfiaram suas saudades e suas angustias enquanto meus olhos marejados se atrapalhavam no teclado. Depois, ao entregar a carta com o envelope, aquelas mãos fortes a seguravam como se fosse um precioso tesouro, nela a distância parecia ser encurtada e podia-se tocar o ser amado. Sim, meus queridos irmãos da lista, viver ecovila não é um lugar no futuro a se chegar, porque Deus fez do planeta todo uma ecovila da fraternidade humana, e não é preciso um local próprio ou um grupo para manifestar o amor incondicional de que tanto se discursa, onde se está e com quem se está é o momento certo.

Um abraço a todos, até a proxima comunicação. Hiroshi

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

mais e mais e mais saudades...

Pense, pense numa coisa dura ponteaguda que você pode chutar, pense, pense! Pense numa dor tão funda, moriabunda que você não pode pegar, pense, pense!

Ai França, o que teria sido Olinda sem tu rapaz? Heim? O que teria sido se não fosse eu a louca de ir ao encontro de um desconhecido que marca uma certa hora ao meio dia, no banco de uma certa praça do Carmo, a pegar carona com uma outra desconhecida minha, ou ainda outra vítima sua, a conduzirnos pelas ruas de recife, depois as ruelas, o chão de barro, as pontes, os barracos, a lama, os porcos, e enfim, os tambores! E os grandes personagens das nossas vidas...
...você é testemunha daqueles sorrisos todos, lindos, daqueles meninos que se dependuravam pelos nossos pescoços, nosso cangote, era tanto braço, tanta perna, que quase não dava pra contar! Daruê pra eles e pra gente, malungo! Discutir Boal, fazer laboratório prático, fugir da burocracia e ir parar num bordel em plena praça central de João Pessoa... Ricardo Reis, Chico Viola,... só contigo e seus amigos maravilhosos... Quantos são eles? Isso se conta? Que outro melhor jeito de conhecer Sil? E conviver com Pedra... com as gargalhadas maravilhosas de Kalyna... quantas horas rimos juntos sem saber exatamente o porquê de estarmos rindo, embalados por aquelas contrações contagiantes que tomavam conta até mesmo das reuniões na federal... Ai Roberto Lucio! Marli! Mateus Sá! Forrozear no Virgulino, afoxear nos velhos tempos da Z4, se atolar de lama na festa da lavadeira, e o melhor de todos, amanhecer ao coco de umbigada em dia de sexta feira, lá pelas bandas de Guadalupe... Roda de capoeira angola meu irmão? Só se for com o mestre sapo! E você achou que eu não fosse escapar... será que um dia ainda vou te dar razão rodopiando no centro de uma roda ao som do seu berimbaubear...? Sou lisa também rapaz! E que história é essa de penetrar tão fundo meu olhar pra em seguida me dar umas boas doses de cachaça e um ombro amigo pra chorar... Você quer me convencer que nunca mais abro a porta de casa de manhã e me deparo com Alan Poe , Ítalo Calvino, Solano Trindade ..., todos loucos para entrar? Solano, quem mais poderia ter incorporado Solano Trindade melhor do que tu? Solano pra mim é você! Ah... a cor da exclusão... as agendas... agora me dei conta que está acabando o ano... chamem a mão de veludo! Chame o batman! Que nunca mais atendo o telefone pra ouvir você me ameaçar!
Ah, se não tivesse havido o “eu poeta errante”, eu teria sido tão mais triste... Miró, Mario, Fernando Chile, Pitanga, Maia, poetas marginais...
Boizinho alinhado, Bar da Aloma, Bodega do Veio, Mercado de São José, Microfone, Clube Atlântico, Mercado Eufrásio, Tapioqueiras da Sé, +++++ centenas de botecos anônimos a nos esperar...cachaça meu véio??? To louca pra te encontrar...

O cuzcuz com leite de coco é o seu e o de mais ninguém! E o bobó de camarão natalino é só do meu que você come! A minha herança pra tu foi a vassoura de bruxa que você não passou pra pegar, ela voou. E te trouxe em casa no domingo da sua despedida... o que é que a gente leva dessa vida rapaz? Me conta vai...

Ah França, me apareça nos sonhos, pra todo mundo acreditar...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

E por falar em saudades...


Saudade é um parafuso
que na rosca, quando cai,
só entra se for torcendo,
porque batendo não vai.
E se enferrujar por dentro,
pode quebrar, mas não sai...
literatura de cordel

O autor?
Antônio Pereira de Moraes, um violeiro e poeta popular de Itapetim, em Pernambuco, um camponês analfabeto que ficou conhecido como poeta da saudade... já falecido...

O saudoso?
Luis(ito)... um estudante de cardiologia que cuida do coração das pessoas fazendo 'callartes' ... láááá em Alajuela, na Costa Rica...

A saudosa?
eu!!!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

as primeiras impressoes...

Habita dentro um pouco cada livro
Percorre a casa em notas soltas
Atravessa horas em pensamentos oníricos
Arrisca-se no colorido de outras cores

Cobre as paredes com volumes misteriosos,
Depois despenca por elas em contorcidos tons de verde,
por vezes esbarram em gravuras perenes, retratos, desenhos, pinturas...
Miniaturas...

Formas antigas sustentam outras criativas
Espaços ocupam...coisas que ocupam...espaços. Luzes indiretas. Essências sóbrias.
Está embalado um pouco em cada frasco e solto outro tanto em cada minúcia.
Pequenas memórias... cereais diversos... compostos de misturas...

Guarda e recicla e se perde
Cria no arremedo da casa

Entreve a rua, o céu e o cinza
Na suave horizontalidade
Embala na fumaça que sobe
E desce no ar que expira

Segundas tentativas...


Quando eu fui pra Salvador pela primeira vez, tive uma grande dificuldade de encontrar acervos, exposições, gravuras, ...de Carybé. Não desisti: na segunda incursão fui atrás novamente e encontrei um pouco do que procurava, muito pouco, aliás pouquíssimo perto do que mais tarde apareceu em Sao Paulo, no museu afro do Ibirapuera.
Em Belém, nesta viagem, a história se repetiu... onde estão as obras de Ismael Nery? Segunda tentativa...?
Esta obra compos a exposiçao "Erotica" - Sao Paulo

E por falar em pitaya...


Tem gosto de quiwi!!

Pitaya é um fruto exótico, silvestre, de um colorido intenso. É uma planta rústica "xerofítica" da família das cactáceas, originaria do México tropical, Colômbia e as Antilhas. Nome dado ao fruto de várias espécies de cactos epífitos, sobretudo do género Hylocereus mas também Selenicereus, nativas do México e América do Sul e também cultivadas no Vietnam e, Malásia, Israel e China. O termo pitaia significa fruta escamosa, também sendo chamada de fruta-dragão em algumas línguas, como o inglês. Como a planta só floresce pela noite (com grandes flores brancas) são também chamadas de Flor-da-Lua ou Dama da Noite.
No México é empregada para preparar sorvetes, iogurtes, doces, marmeladas, geléias, sucos, refrigerantes ou se quiser pode comê-la fresca. Além da sua fantástica beleza e sabor exótico, se atribuem propriedades afrodisíacas e curativas, em especial a gastrite.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Sobre permacultura na GUATEMALA





Ronaldo Lec Ajcot-fundador IMAP Ronaldo Lec Ajcot , a Maya Kaqchiqel, nació en 1971 en San Lucas Toliman Guatemala. En 1990 fue forzado a salir de su país por la violencia de la guerra civil. En 1994 se graduo de Antropología Cultural con mención en estudios de Paz en la Universidad de St. Thomas en Minesota USA. A su regreso a Guatemala 1996 organizó su primer curso de Diseño de Permacultura en la región bajo la ayuda de Permacultura America Latina (PAL) como parte de la busqueda de alternativas para la agricultura. De alli adopta la permacultura como herramienta para revitalisar la tierra y la siembras, la cultura y el medio ambiente en su localidad. En 1997 facilitó un curso de permacultura de donde se gesto una organización de la comunidad llamada Asociación lja'tz dedicada a la reforestación de la región. Esta estructura se convirtió en una granja experimental y centro agro-ecologico donde Ronaldo se desempeña como director del programa. En 1999 deja la asociación lja'tz para dedicarse a la creación de su vision para los Maya creando IMAP Instituto Centro Americano de Permacultura del cual es su director.



Não sei contar a beleza do lugar onde está o centro de permacultura que pouco a pouco vai sendo construído sob a supervisão do Ronaldo. Em Atitlán são campos e mais campos de culturas diversas, especialmente de café, plantados em torno de majestosos vulcões, que ficam ao redor de um lago gigante, lindo, o lago de Atitlán. Aliás o lago parece uma enorme cratera de vulcão, não fossem eles em volta e eu defenderia esta idéia.
Foi meio constrangedor chegar lá na hora do almoço, todo mundo ao redor de uma enorme mesa compartilhando a comida que preparou...e eu, meio faminta, uma estranha, chegando literalmente do nada. Aquele clima horroroso de um estranho no ninho começou a se quebrar quando apresentei a minha nacionalidade...ah, que maravilhoso trunfo é este em territórios estranhos! Liquidei a minha cara de gringa e instantaneamente um sentimento de ‘hermandade’ já tomou conta do ambiente, na mesma hora em todos nós começamos a nos apresentar. Pouco a pouco fui sentindo o clima do lugar e das pessoas em sintonia com a beleza que era tudo aquilo.
O Ronaldo era o mais desconfiado. Logo que acabamos de comer e eu de lavar as louças, afinal de contas... ele já foi se esquivando e mostrando trabalho. Acho que ele não esperava que eu também me canditasse ao turno da tarde... Mesmo assim não deixou barato, me presenteou com um compos (composto, adubo) de 2m por 2m para oxigenar e baixar a temperatura, o que significa transportar toda essa montanha de terra misturada a restos de vegetais, comida, fibras, ... de um lado para o outro do chão batido onde estava, coberto por uma lona . Eu, que depois da semana de trabalho na Costa Rica já me julgava experiente, topei, só não me dei conta das proporções e... passei a tarde toda com enxada na mão, mãos primeiro calejadas, depois em carne viva! Sol, calor, muito suor. Dor nas costas, braços fracos e a sensação de ter sido atropelada por um trator. E uma maravilhosa pitaya reluzente, pink, que suculenta passava por mim, ia e voltava , e depois, parada em frente ao compôs, me seduzia. Esse era o Ronaldo me incentivando pro trabalho! Pitaya?!?! Só depois da montanha de compos revolvida!!! Pronto, foi a prova de fogo: mão na massa, uma tarde juntos, eu lambuzada de pitaya e as portas do centro de permacultura já estavam abertas, já éramos praticamente amigos!

O Ronaldo também se associou a outro guatemalteco muito especial, o Jairo. Um antropólogo um tanto decepcionado com a vida pós universitária dos enciclopedistas, aquele blá blá blá, da pesquisa, da falta de verbas, projetos e incentivos. Recém formado, nativo da capital com cara de gringo (aconteceu isso muito coma gente no norte do Brasil, eu particularmente acho terrível), estava fazendo das tripas coração para conduzir um trabalho de organização social com vários povoados do lago. Ou seja, voluntário. Incrível, mesmo com aquele ar distante e vazio, o entusiasmo e a dedicação com que ele e seu amigo de formação trabalhavam por ali me surpreenderam. Graças a ele conheci San Thiago de Atitlan, o mais agitado povoado de nativos do lago, cervejinha de boteco (lá, boteco é aonde mulher não vai!), comida típica e um céu sem fim de estrelas...

...isso tudo foi depois de ter passado em San Lucas Toliman, no I’jatz! (organização que desenvolve um programa de comércio justo e bem sucedido com várias famílias indígenas de agricultores de café orgânico frente a grandes corporações que atuam na área. Paralelamente iniciou numerosos projetos de pequenas cooperativas com crianças órfãs e inclusão social/valoração da mulher. Além de desenhar projetos permaculturais para implementar com as famílias. Além de muuuuuito muito mais. Trabalho do caraio!).

Taí lugares onde eu teria ficado, alguns meses...

IMAP: www.permacultura.org/es/guatemala.html
I´JATZ: http://www.ijatz.org/

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Guatemala: retratos


Assim foi percorrer a Guatemala. Enquanto se via a beleza dos traços, o colorido das roupas, a intensidade dos bordados, o comprimento das tranças em meio a paisagens paradisíacas... estava também o semblante do cansaço, o esforço molhado de suor, a expressao de muita pobreza e vida dura. Nenhum outro país demonstrou uma apatia e uma desesperança tão generalizada, que de tão contagiada se transformava em uma imagem linda, forte, pulsante. A desesperança também é uma 'qualidade'. Era como admirar uma enorme paisagem vestida com garra e personalidade.
A historia marca o povo na sua essencia.
mas como era bonito este povo...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Foram 180 dias viajando...

...através de ônibus, microônibus, shuttle, taxicleta, bicicleta, van, avião, barco, lancha, canoa, veleiro, jipe, pick up, tuc tuc, trem, metro, metrobus, taxi, carona, e muito pé!

Pagando em várias moedas: bolivares, colones, balboas, pesos mexicanos, quetzals, collons, cordobas, lempiras,... e dolares!

no total, por terra, foram 296 horas dentro de algum veículo de 4 rodas...
...navegando, mais de 178 horas através dos mais diversos tipos de transporte marítimos...
...os vôos somados me deixaram 21 horas no ar...
...mais as 11 horas de trem, em uma das viagens mais bonitas que existem no mundo pela Serra Madre Ocidental no norte do México (maior que o Gran Canyon!)...

Somando horas e arredondando cálculos foram cerca de 500 horas kilometrando para mudar de território! As horas circulando nos lugares, são incalculáveis!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sair, viajar, ver, sentir, trocar são experiências únicas e pessoalíssimas. Assim como um Marco Polo percorrendo e relatando as "cidades invisíveis" para o grande imperador Kublai Khan, este blog é também, e acima de tudo, sobre viajantes...e suas viagens...seja lá de que forma forem...

E por falar em reflexões de viajantes...


“Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir:
a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.”


Italo Calvino

A ILUSÃO DO MIGRANTE

Quando vim da minha terra,

se é que vim da minha terra

(não estou morto por lá?),

a correnteza do rio

me susurrou vagamente

que eu havia de quedar

lá donde me despedia.

Os morros, empalidecidos

no entrecerrar-se da tarde,

pareciam me dizer

que não se pode voltar,

porque tudo é conseqüência

de um certo nascer ali.


Quando vim, se é que vim

de algum para outro lugar,

o mundo girava, alheio

à minha baça pessoa,

e no seu giro entrevi

que não se vai nem se volta

de sítio algum a nenhum.

Que carregamos as coisas,

moldura da nossa vida,

rígida cerca de arame,

na mais anônima célula,

e um chão, um riso, uma voz

ressoam incessantemente

em nossas fundas paredes.


Novas coisas, sucedendo-se,

iludem a nossa fome

de primitivo alimento.

As descobertas são máscaras

do mais obscuro real,

essa ferida alastrada

na pele de nossas almas.


Quando vim da minha terra,

não vim, perdi-me no espaço,

na ilusão de ter saído.

Ai de mim, nunca saí.

Lá estou eu, enterrado

por baixo de falas mansas,

por baixo de negras sombras,

por baixo de lavras de ouro,

por baixo de gerações,

por baixo, eu sei, de mim mesmo,

este vivente enganado,

enganoso.


Carlos Drummond de Andrade


sábado, 10 de novembro de 2007

Logo de cara e olha o que eu encontro: o dia do portunhol! Já existe!
Los Origines del Portugues y del Portuñol
Cuenta una leyenda que un Viernes (1), cuando Portugal separó de España, el Rei portugues jamó sus sábios y dice: - Aora somos independientes de los cabrones Españoles y necessitamos una léngua própria. Ustedes van tener que inbentarla. Pero atención, tiene que ser una lengua de permita que nosotros puedamos comprender lo que hablan elos, pero elos non puedan comprender lo que hablamos nós otros. Los sábios piensaran muchicimo y criaron lo Português y essa situación tan estraña: la maioria de los hablantes de lo Português entiendem lo que dicem los hablantes del Espanhol, pero al revés no és verdade. Unos brasileños cabrones, cuando descubrieran que las diferencias eran pequeñitas, en um esfuerso de mejorar la comunicación com sus vizinos, inventaran lo Portuñol (2): un tipo de Português ligeiramente modificado que puede ser entendido (o por lo menos se espera!) por los hablantes de lo Español y (algunas raras veces) hasta por algunos hablantes de lo Argentino! Mui bién pués, ahora hay también um wiki para estudiar el portuñol y hueje (?) és el Dia del Portuñol: en el último viernes* de otubre.