Ai França, o que teria sido Olinda sem tu rapaz? Heim? O que teria sido se não fosse eu a louca de ir ao encontro de um desconhecido que marca uma certa hora ao meio dia, no banco de uma certa praça do Carmo, a pegar carona com uma outra desconhecida minha, ou ainda outra vítima sua, a conduzirnos pelas ruas de recife, depois as ruelas, o chão de barro, as pontes, os barracos, a lama, os porcos, e enfim, os tambores! E os grandes personagens das nossas vidas...
...você é testemunha daqueles sorrisos todos, lindos, daqueles meninos que se dependuravam pelos nossos pescoços, nosso cangote, era tanto braço, tanta perna, que quase não dava pra contar! Daruê pra eles e pra gente, malungo! Discutir Boal, fazer laboratório prático, fugir da burocracia e ir parar num bordel em plena praça central de João Pessoa... Ricardo Reis, Chico Viola,... só contigo e seus amigos maravilhosos... Quantos são eles? Isso se conta? Que outro melhor jeito de conhecer Sil? E conviver com Pedra... com as gargalhadas maravilhosas de Kalyna... quantas horas rimos juntos sem saber exatamente o porquê de estarmos rindo, embalados por aquelas contrações contagiantes que tomavam conta até mesmo das reuniões na federal... Ai Roberto Lucio! Marli! Mateus Sá! Forrozear no Virgulino, afoxear nos velhos tempos da Z4, se atolar de lama na festa da lavadeira, e o melhor de todos, amanhecer ao coco de umbigada em dia de sexta feira, lá pelas bandas de Guadalupe... Roda de capoeira angola meu irmão? Só se for com o mestre sapo! E você achou que eu não fosse escapar... será que um dia ainda vou te dar razão rodopiando no centro de uma roda ao som do seu berimbaubear...? Sou lisa também rapaz! E que história é essa de penetrar tão fundo meu olhar pra em seguida me dar umas boas doses de cachaça e um ombro amigo pra chorar... Você quer me convencer que nunca mais abro a porta de casa de manhã e me deparo com Alan Poe , Ítalo Calvino, Solano Trindade ..., todos loucos para entrar? Solano, quem mais poderia ter incorporado Solano Trindade melhor do que tu? Solano pra mim é você! Ah... a cor da exclusão... as agendas... agora me dei conta que está acabando o ano... chamem a mão de veludo! Chame o batman! Que nunca mais atendo o telefone pra ouvir você me ameaçar!
Ah, se não tivesse havido o “eu poeta errante”, eu teria sido tão mais triste... Miró, Mario, Fernando Chile, Pitanga, Maia, poetas marginais...
Boizinho alinhado, Bar da Aloma, Bodega do Veio, Mercado de São José, Microfone, Clube Atlântico, Mercado Eufrásio, Tapioqueiras da Sé, +++++ centenas de botecos anônimos a nos esperar...cachaça meu véio??? To louca pra te encontrar...
O cuzcuz com leite de coco é o seu e o de mais ninguém! E o bobó de camarão natalino é só do meu que você come! A minha herança pra tu foi a vassoura de bruxa que você não passou pra pegar, ela voou. E te trouxe em casa no domingo da sua despedida... o que é que a gente leva dessa vida rapaz? Me conta vai...
Ah França, me apareça nos sonhos, pra todo mundo acreditar...
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