Seria absurdo demais ler este texto do Erico e confundi-lo com um texto meu?
“ E nós sabemos que a vida, major, não merece bocejos. É rica demais, séria demais, interessante demais e principalmente curta demais para que fiquemos diante dela nessa atitude de fastio. Em suma, estou cansado deste mundo lógico, anseio por voltar, nem que seja por poucos dias, a um mundo mágico. Sinto saudade da desordem latino-americana,das imagens, sons e cheiros de nosso mundinho em que o relógio é apenas um elemento decorativo e o tempo, assunto de poesia. Dêem-me o México, o mágico México, o absurdo México! Há um ano e pouco visitei esse país, meu poeta, e voltei a Washington perturbado com o pouco que vi e o mundo que adivinhei. O gosto de México ainda não me saiu da memória. Doce? Não. Amargo? Também não. Esquisito, raro, diferente, mistura de tortilla, cigarro de palha, chile e sangue. Um gosto seco, às vezes com certa aspereza de terra desértica, não raro com inesperadas e perecíveis doçuras de fruto tropical. Se eu fosse dar-lhe uma cor, diria que é um gosto pardo. Se me pedissem para qualificá-lo, arriscaria dizer: gosto de rústica tragédia. Céus! Será que estou ficando metafísico? Positivamente, William Shakespeare, preciso urgentemente dumas férias.”
Erico Verissimo
Comentário extraído do livro México - 5a. edição
Comentário extraído do livro México - 5a. edição
Atravessando a fronteira da Guatemala rumo ao México! Julho 2006
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