quinta-feira, 8 de março de 2012

só uma conversa?

De como nasciam ilusões e de como as destruía logo a seguir, só quero falar com ela, ao menos uma vez, é tudo, saber da folha, dos netos, fazer uma série de perguntas que só ela poderá responder , e contar certas tristezas e derrotas sofridas durante a vida sem ela. Não contava com mais nada, trinta e cinco anos depois de a perder. Não tinha o direito de esperar alguma coisa, ela refizera a sua vida e não poderia aniquilar, passado tanto tempo. Mas me concedam, ó deuses inexistentes e apesar disso cruéis, a consolação de falar uma com ela e de poder esperar contemplar aquele rosto redondo de Lua Cheia.

O planalto e a estepe
Pepetela

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