Em primeiro lugar, um agradecimento pela poetiza que me vem às mãos. Em segundo, por ela emprestar palavras e clareza às minhas sensações e impressões, após um longo-suave-ansioso-e-duro mês de janeiro...
AGRADECIMENTO
"Devo muito
aos que não amo.
O alívio de aceitar
que sejam mais próximos de outrem.
A alegria de não ser eu o
lobo de suas ovelhas.
A paz que tenho com eles
e a liberdade com eles,
isso o amor não pode dar
nem consegue tirar.
Não espero por eles
andando da janela à porta.
Paciente
quase como um relógio de sol,
entendo o que o amor não entende,
perdoo,
o que o amor nunca perdoaria.
Do encontro à carta
não se espera uma eternidade,
mas apenas alguns dias ou semanas.
As viagens com eles são sempre um sucesso,
os concertos assistidos,
as catedrais visitadas,
as paisagens claras.
E quando nos separam
sete colinas e rios
são colinas e rios
bem conhecidos dos mapas.
É mérito deles eu viver em três dimensões,
Num espaço sem lírica e sem retórica,
Com um horizonte real porque móvel.
Eles próprios não veem
quanto carregam nas mãos vazias.
“Não lhes devo nada”-
diria o amor
sobre essa questão aberta."
Wislawa Szymborska
sábado, 21 de janeiro de 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário