sexta-feira, 29 de maio de 2009

A vida sob alta pressao!

Hoje o tema do trabalho dos meninos falava das alteraçoes que o corpinho sofre quando a coluna de agua vai ficando cada vez mais "pesada" em cima das nossas cabeças...
Hoje foi dia de lembrar de Utila, vizinha de Roatan, a capital hondurenha do mergulho, um verdadeiro complexo de scuba dive! Foi ai que eu aluguei o equipamento, o barco e a equipe de mergulhadores mais internacional que eu ja tive sonhando em deparar com um tubarao baleia atrasado na sua rota...
Mas o mergulho mais bonito nao foi esse nao... foi o que começou nessa margem de uma das praias turisticas da ilha... com equipamento basico e sem muitas pretensoes...!

você viaja para reencontrar o seu futuro?

“- Os outros embaixadores me advertem a respeito de carestias, concussões, conjuras; ou então me assinalam minas de turquesa novamente descobertas, preços vantajosos nas peles de marta, propostas de fornecimento de lâminas adamascadas. E você? – o Grande Khan perguntou a Pólo. – Retornou de países igualmente distantes e tudo o que tem a dizer são os pensamentos que ocorrem a quem toma a brisa noturna na porta de casa. Para que serve, então, viajar tanto?
- É noite, estamos sentados nas escadarias do seu palácio, inspire um pouco de vento – respondeu Marco Pólo. – Qualquer país que as minhas palavras evoquem será visto de um observatório como o seu, ainda que no lugar do palácio real exista uma aldeia de palafitas e a brisa traga um odor de estuário lamacento.
- O meu olhar é de quem está absorto e medita, admito. Mas e o seu? Você atravessa arquipélagos, tundras, cadeias de montanhas. Seria melhor nem sair daqui.
O veneziano sabia que, quando Kublai discutia, era para seguir melhor o fio de sua argumentação; e que as suas respostas e objeções encontravam lugar num discurso que ocorria por conta própria na cabeça do Grande Khan. Ou seja, entre eles não havia diferença se questões e soluções eram enunciadas em alta voz ou se cada um dos dois continuava a meditar em silêncio. De fato, estavam mudos, os olhos entreabertos, acomodados em almofadas, balançando nas redes, fumando longos cachimbos de âmbar.
Marco Pólo imaginava responder (ou Kublai imaginava a sua resposta) que, quanto mais se perdia em bairros desconhecidos de cidades distantes, melhor compreendia as outras cidades que havia atravessado para chegar até lá, e reconstituía as etapas de suas viagens, e aprendia a conhecer o porto de onde havia zarpado, e os lugares familiares de sua juventude, e os arredores da casa, e uma pracinha de Veneza em que corria quando era criança.
Neste ponto, Kublai Khan o interrompia ou imaginava interrompê-lo ou Marco Pólo imaginava ser interrompido com uma pergunta como:
- Você avança com a cabeça voltada para trás? – ou então: - O que você vê está sempre às suas costas? – ou melhor: - A sua viagem só se dá no passado?
Tudo isto para que Marco Pólo pudesse explicar ou imaginar explicar ou ser imaginado explicando ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente a qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.
Marco entra numa cidade; vê alguém numa praça que vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça. Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de uma outra pessoa. Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
- Você viaja para reviver o seu passado? – era, a esta altura, a pergunta do Khan, que também podia ser formulada da seguinte maneira: - você viaja para reencontrar o seu futuro?
E a resposta de Marco:
- Os outros lugares são espelho em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá.”

As Cidades Invisíveis – ítalo Calvino

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Eles falando de fisiologia e eu subindo as montanhas!

Hoje um grupo de alunos apresentou o trabalho "a vida sob baixa pressão" a partir da leitura que realizaram do livro "A Vida no Limite", de Frances Aschcroft.
O tema era justamente sobre montanhistas e as montanhas... altitudes... desafios... enquanto eles falavam das alterações fisiológicas ao escalar o Everest eu lembrava dos páramos, do parque nacional de Sierra Nevada, de Mérida...
os Andes da Venezuela!!

Subimos a praticamente 5000 metros acima do nível do mar! Que frio! Que lindo! Perdi o fôlego, mas não foi pelo "mal de altitude" não, foi de emoção mesmo! Paisagens sem fôlego também, tipo essa daqui de baixo:

Vale a pena ir até Mérida e fazer o passeio de teleférico... vale muuuuito à pena!

Los Páramos, Venezuela, abril de 2006

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Meu Deus!

Ia comentar...lamentar...enaltecer...recordar...citar...
...mas ai chegou este e-mail de um amigo... (nao por coincidencia de origem uruguaia) e entao resolvi reproduzir o proprio e-mail dele aqui!

Nao vou reproduzi-lo inteiro, é muito grande, mas a parte do seu protesto. Lembrando que ha dois posts neste blog sobre Benedetti... um maravilhoso escritor uruguaio que "me seduziu" la na Costa Rica através do talento sensivel de um jovem artista, que por sua vez se reconciliou com seu pai através do mesmo escritor, poeta...este mesmo que agora nos deixa...

O e-mail:

Encaminho a vcs um pouco da vida de uma pessoa que sem dúvida fez muito mais pela humanidade que todos os notáveis de plantão. Reparem nas fotos e nos fatos e que neste terceiro mundo que vivemos nunca temos a devida atenção com nada. Benedetti tinha uma vida simples, fogão de duas bocas, num país simples. Quem conhece o Uruguai sabe o que digo. No Brasil, sua morte não passou de algumas notas de rodapés. Se fosse algum pagodeiro ou algum famoso latino-americanos, teríamos manchetes garrafais. Lamento muito esse vazio cultural que nos rodeia.
abs literários
Pipo Benedetti




EL 'DESEXILIO' «El exilio es el aprendizaje de la vergüenza. El desexilio, una provincia de la melancolía».

Benedetti consiguió regresar a Uruguay en 1985. «El país había cambiado después de diez años de dictadura, pero yo también, después de 12 años domiciliado en cuatro países tan distintos. De los gobiernos no se aprende nada, pero de la gente de la calle yo aprendí mucho y entonces volví diferente, más maduro, otra persona, aunque siempre con el arraigo de mi ciudad». (Foto: 'Poemas revelados')

terça-feira, 19 de maio de 2009

Gabi, vamos pirar???

A Gabi foi pra Irlanda e descobriu que a lua nasce do lado oposto...e pirou!! Contou o fato... ninguém conseguiu imaginar tamanha piraçao...que triste...

Eu aqui, fiquei pensando: alguém mais piraria com isso:

2008, durante uma certa palestra na Semana de Educaçao, a filosofa carioca filosofafa...

"...Nietzsche, por outro lado, rompe com esta lógica em seus discursos e diz com uma frase “Torna-se quem és, ou torna-se quem se é”. Assim, não há mais sujeito. Cada um é um feixe de sensações, afetos, vivências e que se organizam de forma momentânea. “Tornar-se quem és” é a finalidade (trabalha com a idéia de finalidade), o fim do processo e assim não há mais o sujeito, o substrato. As pessoas são múltiplas – multiplicidade - e vão se configurando nos seus mais diversos encontros. Não há como separar o que é circunstancial do que é essencial. Em cada momento cada um é uma resultante de vários processos. Não existe um “agora sou” e sim sensações do ser que variam ao longo da trajetória da vida. Não há condições de se conhecer, o “quem eu sou” está sempre em aberto. E os acontecimentos passados podem ser reinterpretados o tempo todo. Com esta concepção Nietzsche traz a idéia de transformação como um processo cuja finalidade é o mote condutor e não um fim de fato...."

Poxa, legal isso! Anotei!

2000, enquanto Boal pensava a sua biografia em vida, escrevia:

"Essa história já contei duas vezes, no Teatro do oprimido e no Arco-íris do desejo. Não vou contar mais uma terceira, vou comentar.
Curioso: em cada um desses livros, conto a mesma história de uma maneira diferente, o que me conforta na certeza de que os processos psíquicos da memória e da imaginação são indissociáveis – ninguém lembra sem imaginar, ninguém imagina sem lembrar.
Lembrando hoje o que eu ontem lembrei, a coisa lembrada agora é diferente da lembrança antes. Cada dia é novo dia. Já não sou quem fui horas atrás. Meu ser é devir. Não sou nunca: eu me torno, sempre. Sou aquele que ainda não é, e sou também o que deixou de ser. Eu me torno ao me aproximar de ser aquilo que nunca serei, pois, se vier a sê-lo, já estarei em trânsito para outro ser que ainda não sou nem serei, ao ser o primeiro, sempre em trânsito. Inevitável.
Eu juro que entendo isso que eu estou dizendo: espero que vocês também, queridos leitores... Se não, me perdoem!
É complicado? Não é: leia outra vez. Outra mais. Quem foi que leu essas ter vezes? Você ainda é o mesmo de três leituras atrás? Impossível!"



2009, em uma sala de cinema paulistana, valsando com Bashir...

esquecemos memorias, recriamos memorias, completamos lembranças, lacunas, reinterpretamos o passado, lembramos! Inventamos partes do passado!

ai que delicia...

Moral da historia nesse blog... planeje uma bela viagem uma vez na sua vida... e colha os frutos dela, diversos frutos, a vida inteira!
Ou ainda, nasça uma lua, meia, minguante, crescente... nunca é a mesma lua que esta nascendo pra quem olha! Imagina ela nascendo do lado oposto entao!

Pirei!!!
Ps: saudades da Gabi...!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Era jetsons!

Vi este vídeo no blog do Tas e não pude deixar de postá-lo aqui, ainda mais em se tratando de um blog cujo tema principal é falar sobre viagens, viajantes e os lugares... o que não exclui de forma nenhuma a maneira de como tantas pessoinhas sao transportadas por esses lugares todos nos mundos de hoje !! Ele mostra o trafego aereo em um unico dia de 24hs! (para visualiza-lo melhor, recomendo o youtube ou o blog do Marcelo Tas)...
Confesso que fiquei meio muito impressionada...
...e ainda querem evitar pandemias virais!!!! O ser humano é a maior pandemia do planeta!!!!
Bom, acho também que da pra ter uma idéia sobre o que postei ha alguns dias sobre o fato de nos, latino americanos, nao conhecermos nossos vizinhos... ("proxima parada...deserto do atacama?"). Ainda mais considerando que a maioria dos "pontinhos" que passam pela América central saindo das terras tupiniquins... sao escalas de voos para a terra do tio, ou seja, apenas uma paradinha so pra tornar a viagem mais cansativa e retardar a chegada ao cobiçado destino! shopshpshopchrompshoshopshopshoppchrompshopshopshopshopchromp

ps final: pobre mata atlantica...

"O tempo deste clip é de 1m 12s e representa as 24 horas de um dia inteiro de viagens de avião, internas e entre os continentes.
Aproximadamente cada segundo de filme, representa 20 minutos reais. Cada pontinho amarelo é um voo com pelo menos 250 passageiros. Note que os voos dos EUA para a Europa partem principalmente à noite, e retornam de dia.
Pela imagem que o sol imprime no globo, pode-se dizer que é verão no hemisfério norte. Nos pólos norte e sul, não se observa a variação solar."

Fazer a Ponte no Brasil

Acusamos os portugueses de nos explorar e levar embora boa parte de nossas riquezas, nos deixando aqui, abandonados, literalmente à ver navios...ironicamente sao os portugueses que agora nos oferecem uma alternativa educacional providencial em um periodo onde a educaçao beira o caos, pesa e naufraga vertinosamente em outros tempos, tempos de outras navegaçoes...!
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Vamos "fazer a ponte" !
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A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. Como aprender a discutir e debater com uma educação que impõe?

(Paulo Freire)

sábado, 16 de maio de 2009

Acordar

Hoje peço emprestado o "acordar" do Alvaro de Campos...

Acordar da cidade de (Lisboa), mais tarde do que as outras, Acordar da Rua do Ouro, Acordar do Rocio, às portas dos cafés, Acordar E no meio de tudo a gare, que nunca dorme, Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono. Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar, Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo. À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma, E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo. Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne, Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha, Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom, São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada, Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes, Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste, Seja A mulher que chora baixinho Entre o ruído da multidão em vivas... O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito, Cheio de individualidade para quem repara... O arcanjo isolado, escultura numa catedral, Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã, Tudo isto tende para o mesmo centro, Busca encontrar-se e fundir-se Na minha alma. Eu adoro todas as coisas E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. Tenho pela vida um interesse ávido Que busca compreendê-la sentindo-a muito. Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, Para aumentar com isso a minha personalidade. Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio E a minha ambição era trazer o universo ao colo Como uma criança a quem a ama beija. Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo Do que as que vi ou verei. Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações. A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos. Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. Dá-me lírios, lírios E rosas também. Dá-me rosas, rosas, E lírios também, Crisântemos, dálias, Violetas, e os girassóis Acima de todas as flores... Deita-me as mancheias, Por cima da alma, Dá-me rosas, rosas, E lírios também... Meu coração chora Na sombra dos parques, Não tem quem o console Verdadeiramente, Exceto a própria sombra dos parques Entrando-me na alma, Através do pranto. Dá-me rosas, rosas, E lírios também... Minha dor é velha Como um frasco de essência cheio de pó. Minha dor é inútil Como uma gaiola numa terra onde não há aves, E minha dor é silenciosa e triste Como a parte da praia onde o mar não chega. Chego às janelas Dos palácios arruinados E cismo de dentro para fora Para me consolar do presente. Dá-me rosas, rosas, E lírios também... Mas por mais rosas e lírios que me dês, Eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, Sobrar-me-á sempre de que desejar, Como um palco deserto. Por isso, não te importes com o que eu penso, E muito embora o que eu te peça Te pareça que não quer dizer nada, Minha pobre criança tísica, Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios, Dá-me rosas, rosas, E lírios também..

Álvaro de Campos

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Centro do Teatro do Oprimido

O CTO repaasou hoje este e-mail ao seu mailing:

Caras e caros amigos,Nosso pesar é incomensurável, não há medida que o defina. Não há espaço que o comporte. A partida de Boal nosdeixou com uma clara missão: seguir adiante! Com a ética e a solidariedade como fundamentos e guias, tendo amultiplicação como estratégia e a superação de realidades opressivas como meta, seguiremos adiante. Por isso,não estamos de luto, nos vestimos de LUTA e empunhamos as armas que nos deixou o guerreiro Boal.Nossas lágrimas se transformam em seiva para a Árvore do Teatro do Oprimido. Nosso choro é canção. E nossa dorexplodirá em gritos de revolta e em ações efetivas contra a injustiça.O primeiro grito é contra uma injustiça desmedida: a decisão do Departamento Penitenciário Nacional, doMinistério da Justiça do Brasil que, revendo a aprovação de contas do projeto Teatro do Oprimido nas Prisões,tomada há mais de cinco anos, nos obriga a dispor de trinta mil reais para depositar nos cofres do governo. Apunição seria devida ao entendimento de que, em 2003, a publicação dos resultados deste projeto não teria sidoadequada. Mesmo não achando justo, já oferecemos uma nova publicação como alternativa, o que não foi aceitopelos burocratas, mesmo tendo sido eles próprios a aprovarem a publicação como foi feita e a prestação decontas entregue à época.Gritamos para amplificar a voz de Boal, contra a burocracia paralisante, insensível e desprovida deinteligência reflexiva, que funciona movida por um tipo de conhecimento bancário e engessado tão criticado ecombatido por Paulo Freire. Gritamos contra a burocracia que não pensa relativizando fatos, considerandoespecificidades e analisando alternativas. Contra a burocracia que segue a receita mesmo quando os ingredientesinviabilizam a concreção do bolo.Por uma postura puramente burocrática, em pleno debate de idéias, incluíram o Centro de Teatro do Oprimido nocadastro de inadimplentes do governo federal, SIAF, o que bloqueia nossas contas, nos impede de receber asparcelas do nosso projeto com o Ministério da Cultura e está, na prática, inviabilizando nosso funcionamento,colocando em risco a sobrevivência de nossa instituição e a continuidade do trabalho de Augusto Boal no Brasil.Ressaltamos que durante todo esse processo agimos na legalidade, e, por isso, hoje, dia de homenagem ao Mestre,iniciamos uma campanha internacional de pressão para a resolução desta situação e de arrecadação de fundos parafazermos esse absurdo depósito. E termos condições de arcar com os custos de um processo judicial contra oDepartamento Penitenciário Nacional que, em nosso entendimento, está violando os princípios do Estadodemocrático de direito, em especial o princípio constitucional da segurança jurídica, que visa resguardar aconfiança legítima e a boa-fé nas relações, fundamentalmente entre o poder público e a sociedade civil.Aos que quiserem se juntar a nós nessa luta, solicitamos que escrevam mensagens para o Ministério da Justiça epara o Departamento Penitenciário Nacional. E também depositem contribuições em nome do Centro de Teatro doOprimido para viabilizar o depósito acima citado, a abertura do processo judicial e solucionar as nefastasconseqüências financeiras advindas deste bloqueio.Todo o monitoramento desta ação solidária estará disponível na página do Centro de Teatro do Oprimidowww.ctorio.org.br .Boal queria ter iniciado essa pressão pública há meses. Nós postergamos essa decisão por termos a esperança deque o bom senso prevaleceria. Nosso mestre, mais uma vez, estava certo. Sigamos seus ensinamentos: Cabrito bomé o que mais alto berra. Berremos!Nosso profundo agradecimento.
Equipe do Centro de Teatro do Oprimido
Rio de Janeiro, 09 de maio de 2009.
Depósitos em nome do Centro de Teatro do Oprimido:
Banco do Brasil – 01 Agência: Cinelândia 0392-1
Conta Poupança: 18.075- 0, Variação 01
Depósitos internacionais: Código SWIFT: BRASBRRJRJO

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Relatório de poeta é assim...

O projeto era acadêmico, vinculado ao programa de extensão universitária da Universidade Federal de Pernambuco, departamento do CAC - Centro de artes e comunicação. A burocracia para recebermos uma única bolsa de cerca de R$200,00 a ser dividida em 3 era enorme: projeto, reuniões, relatórios, seminários, participação em congressos (UFPE; UFPA), em programas da rádio universitária, dentre muitas outras atribuições. Tudo isso fizemos sistematicamente. Mas o conteúdo dos relatórios...ah, esses eram de poeta! Afinal era França quem os escrevia...

A primeira visita... eu ainda não havia nascido...

Daruê Maluno I

Dia 26.03.2002 (terça-feira)
VISITANDO O ESPAÇO CULTURAL
Das 16 às 19hs

Visitamos o espaço cultural. Eu e Kalina. Todos nós portas fechadas, entreabrindo janelas cheias de tentativas frustradas de discrição. O reencontro com Kalina. O encontro com Daruê Malungo. A entrevista com Vilma. Cento e cinquenta crianças e adolescentes. Cento e quinze na faixa etária de 10 a 18 anos. Realidades. Ensina-se capoeira, maracatu, côco, corte e costura. Ensina-se a confeccionar instrumentos. Ensina-se a viver. Pela manhã, a escola formal. À tarde o Quilombo. Esta lá. Autônomo. Independente. Pulsante. Um organismo. Uma célula de resistência diminuíndo a velocidade da curva descendente. Uma vontade férrea, um constante arranhar de pedras, com as unhas, para espremer um deleite. Prazer em conhecer!

agora sim... eu chegava de surpresa no espaço... paixão à "ante vista"!

Daruê Malungo II

Dia 26.04.2002 (sabado)

CONHECENDO O TRABALHO DO GRUPO

17hs

Finalmente o palpável, o visível, sendo tecido exatamente do invisível, do quase nada. De algum lugar onde existe um poço de cores. Dança pura. Suores. Odores. Símbolos de corpo em movimento. Movimento. Aqui e ali instrumentos "maiores do que o músico" no dizer de Kalina e era mesmo uma alfaia gigantesca retumbando a partir de mãos ainda infantis, mas guiadas pelas doces e seguras mãos do mestre Meia-Noite.Nos sábados, a cada 15 dias, ha apresentações abertas ao público: danças e shows percussivos, capoeira e cavalo marinho, este último representado pelo menos através das figuras de Mateus e Bastião. Meia-Noite, sua família, e Chão de Estrelas, provando que é possível, mostrando a inversão da nova ordem mundial: Daruê Malungo é ver pra crer.Depois das apresentações, outra entrevista, dessa vez Meia-Noite nos dizia a mim e a Tatiana já em sua casa:" Eu faço um trabalho voluntário aqui. Se chegar ajuda, ótimo. Se não chegar eu tenho que continuar fazendo.""Agora, estou sendo convidado para fazer algumas oficinas de dança em Paris. Lá, eu fico quinze dias. Depois volto pra Recife. Logo depois viajo para Cuba. Depois volto para Recife. Depois o sertão. Depois o agreste. Fica muito difícil pra mim ficar aqui. Eu queria nunca sair daqui. E mais ainda que a gente vai pra esses lugares, com passagem paga e muitas vezes sem dinheiro prum cigarro, para um extra, para comprar uma lembrancinha pra trazer pra casa. E como eu vou explicar às crianças que ando de avião e não tenho dinheiro para a merenda?"" O espaço está aberto meu irmão, para você mostrar a sua arte. Independente de universidades, de governo, de político. Venha quando quiser."

“Daruê, significa Força. Malungo, Companheiros”

E fomos! Por 3 anos fomos espontaneamente e apaixonadamente lá!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Eu coleciono...

Pessoas!

Eu coleciono pessoas... e esta é a minha coleção mais preciosa... e que possui os artigos mais raros e difíceis de se encontrar. Porque não é qualquer pessoa que vai ficar sentadinha na minha prateleira imaginária. E também não há um critério claro para selecionar cada uma delas. Elas não precisam ser amigos, parentes ou ídolos. Não! É algo assim meio subjetivo, forte, único. São pessoas efêmeras, passageiras, raras, estranhas, diferentes. Tem algumas onipresentes e outras que por mais que sejam recorrentes ou breves, são intensas, profundas, marcantes. Algumas devem ser oníricas, não é possível que (ainda? talvez?) existam! Eu devo ter sonhado com elas... é, devo. Autênticas! Isso! Definitivamente são pessoas autênticas. Que por mais rápido que tenham cruzado o meu caminho, interferiram significativamente nele. Seres humanos que fazem toda a diferença! Que tornam o mundo mais mundo, mais divertido, diversificado, menos sério! Que simplemente surpreendem!
O planeta não seria o mesmo se eu vendesse ou perdesse um único exemplar dessa minha coleção! Pode levar anos, mas cada vez que eu coloco um item na minha prateleira...ahhh...

Eitaaaa! Adquiri dois na viagem!

sábado, 2 de maio de 2009

Meu caro amigo me perdoe por favor...

...se ha muito tempo nao lhe faço uma visita...
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Sentávamos na sala da professora Kalyna para as nossas reuniões semanais: eu, França, Kalyna, por vezes um convidado ou interessado e… Boal! È Boal! Líamos, e falávamos e experimentávamos tanto Boal que Boal já tinha presença física na nossa mesa. Já me sentia íntima do autor e tenho certeza que dialogávamos com ele. Pedíamos conselhos e vibrávamos com várias de suas leituras. Laboratórios. As vezes pedíamos socorro às nossas dificuldades, questionávamos: Boal não costumava trabalhar diretamente com crianças e nós...nós tínhamos dezenas delas, ali, balançando seus corpos inquietados todas as quinta-feiras por quase três anos! Como adaptar uma série de seus exercícios práticos para atores e NÃO atores a estas saltitantes crianças tocadoras e dançadoras de tambor? Foi assim que começamos a convidar novos autores para dialogar com o nosso projeto. As táticas desenvolvidas, aprendidas e trocadas nos anos de “Francis” não ficaram de fora. Mas Boal estava sempre lá! Transformávamos tudo de “novo” no “velho” teatro do oprimido e íamos escarafunchando e revelando as opressões de “Chão de Estrelas”. Querendo escancará-las descobríamos as nossas. Aos poucos a linguagem corporal foi ganhando palavras! Que vitória, os educadores reconheciam! As crianças começavam a falar, aos poucos, a se manifestar! Não ficamos apenas algumas semanas, viramos o ano, e assim conquistamos a confiança desses já tão pequeninos descrentes cidadãos, o espaço e seu entorno, e assim íamos conquistando a nós mesmos! Nada pronto, nenhum texto convencional, préconcebido... a realidade era a deles, e os autores.. eles é claro !
Quando eu e França discordávamos em algo, sentávamos no ônibus lado a lado e íamos ao encontro de Boal e das crianças em silêncio, como dois desconhecidos. Quando ele não ia, ia eu, tateando pistas que me dessem indícios do caminho em meio a tantos barracos, vielas e becos iguais. Quando era eu que não ia, ia ele, e eu ficava a imaginar os desafios daquelas tardes que acabavam afogadas no mangue do apadrinhado Chico Science. Quando não iam as crianças por conta de algum evento de apresentação externa, ficávamos desolados, eu e França, na beira do rio “vendo a sujeira passar”. Boal olhava aquilo tudo e sorria. Tenho certeza que sorria. Ele acompanhava cada repercussão de sua obra, da qual perdera o controle e contagiara o mundo! Ali era especial, porque era uma experiência experenciada na sua América Latina... no Brasil...com o “povo” do povo que tanto buscou...

Agora França está com Boal. Ou Boal está com França ... e eu acordei me sentindo um pouco... muito mais órfã...

Foto de Mateus Sa

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Texto relacionado neste blog: ler dia 22 de novembro de 2007