A primeira visita... eu ainda não havia nascido...
Daruê Maluno I
Dia 26.03.2002 (terça-feira)
VISITANDO O ESPAÇO CULTURAL
Visitamos o espaço cultural. Eu e Kalina. Todos nós portas fechadas, entreabrindo janelas cheias de tentativas frustradas de discrição. O reencontro com Kalina. O encontro com Daruê Malungo. A entrevista com Vilma. Cento e cinquenta crianças e adolescentes. Cento e quinze na faixa etária de 10 a 18 anos. Realidades. Ensina-se capoeira, maracatu, côco, corte e costura. Ensina-se a confeccionar instrumentos. Ensina-se a viver. Pela manhã, a escola formal. À tarde o Quilombo. Esta lá. Autônomo. Independente. Pulsante. Um organismo. Uma célula de resistência diminuíndo a velocidade da curva descendente. Uma vontade férrea, um constante arranhar de pedras, com as unhas, para espremer um deleite. Prazer em conhecer!
agora sim... eu chegava de surpresa no espaço... paixão à "ante vista"!
Daruê Malungo II
Dia 26.04.2002 (sabado)
CONHECENDO O TRABALHO DO GRUPO
17hs
Finalmente o palpável, o visível, sendo tecido exatamente do invisível, do quase nada. De algum lugar onde existe um poço de cores. Dança pura. Suores. Odores. Símbolos de corpo em movimento. Movimento. Aqui e ali instrumentos "maiores do que o músico" no dizer de Kalina e era mesmo uma alfaia gigantesca retumbando a partir de mãos ainda infantis, mas guiadas pelas doces e seguras mãos do mestre Meia-Noite.Nos sábados, a cada 15 dias, ha apresentações abertas ao público: danças e shows percussivos, capoeira e cavalo marinho, este último representado pelo menos através das figuras de Mateus e Bastião. Meia-Noite, sua família, e Chão de Estrelas, provando que é possível, mostrando a inversão da nova ordem mundial: Daruê Malungo é ver pra crer.Depois das apresentações, outra entrevista, dessa vez Meia-Noite nos dizia a mim e a Tatiana já em sua casa:" Eu faço um trabalho voluntário aqui. Se chegar ajuda, ótimo. Se não chegar eu tenho que continuar fazendo.""Agora, estou sendo convidado para fazer algumas oficinas de dança em Paris. Lá, eu fico quinze dias. Depois volto pra Recife. Logo depois viajo para Cuba. Depois volto para Recife. Depois o sertão. Depois o agreste. Fica muito difícil pra mim ficar aqui. Eu queria nunca sair daqui. E mais ainda que a gente vai pra esses lugares, com passagem paga e muitas vezes sem dinheiro prum cigarro, para um extra, para comprar uma lembrancinha pra trazer pra casa. E como eu vou explicar às crianças que ando de avião e não tenho dinheiro para a merenda?"" O espaço está aberto meu irmão, para você mostrar a sua arte. Independente de universidades, de governo, de político. Venha quando quiser."
“Daruê, significa Força. Malungo, Companheiros”
E fomos! Por 3 anos fomos espontaneamente e apaixonadamente lá!
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