Sempre que leio um livro que gosto é assim... começo devorando-o, muitas paginas em um unico dia, em pé, no onibus, tomando café... Bom, ai me familiarizo com as personagens e passo a conviver com elas: se o seu ritmo é intenso, eu avanço na leitura, percorro e atropelo as palavras, deduzo frases e lambo as orelhas das paginas com os dedos quase que ininterruptamente. Mas se relaxam... eu repouso os olhos vagarosamente entre as linhas e... adormeço.
Conforme a intimidade aumenta passo a jogar com elas: um dia sem ler, pra sentir saudades... duas paginas no outro podem causar uma certa ansiedade. Apenas algumas linhas servem para demonstrar um tanto de indiferença, e o abandono por quase uma semana é puramente pra tentar provar que ainda sou independente!(?)
Ah... mas quando o lado de la do livro começa a ficar muito menor do que o lado de ca... bate um aperto... o fato é: o fim é inevitavel! O jeito é ir se preparando pra se despedir da narrativa, do cheiro, da textura, da cor, da voz... e encarar o vazio que aquele espaço vai ocupar aonde ele costumava ficar sedutoramente repousado...
ps. e a minha personagem 'terminou' assim:
" Quantos anos precisarei para digerir o México? Quantas vidas devia viver para compreende-lo? Mas um consolo me resta e basta. Nao preciso nem de mais um minuto para ama-lo."
Erico Verissimo, Mexico Historia Duma Viagem
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